ESG com Engenharia, o caminho para negócios resilientes

31 de março de 2026, às 15h20 –
Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

O papel da Engenharia como eixo estratégico para a longevidade corporativa de projetos e iniciativas em ESG (Ambiental, Social e Governança na tradução do inglês) está presente nas conversas dos especialistas, como ficou evidente no Fórum Crea-SP – Visão ESG. O encontro revelou os impactos das agendas ambiental, social e de governança em um cenário acelerado de transformações econômicas e climáticas. Realizado em parceria com a DEEP ESG e curadoria da ESG Advisory, a conversa evidenciou como o conhecimento técnico é o diferencial para tornar as companhias mais eficientes e preparadas para o que vem pela frente.

No debate dedicado às mudanças estruturais do mercado, os especialistas destacaram que os valores ESG já fazem parte do coração das organizações – ou deveriam fazer, para quem não evoluiu. “O compromisso puramente estético passou; o que ficou é o core. A gestão climática hoje é um risco real para qualquer operação”, apontou o moderador Gustavo Loiola, professor e consultor em Sustentabilidade e ESG, ao ressaltar o volume crescente de investimentos globais na área. O oceanógrafo Rodolfo Sirol, diretor de sustentabilidade da CPFL, chamou a atenção para a complexidade do cenário atual. “A Engenharia sempre se baseou em dados históricos, mas no ESG tudo mudou muito rápido. O mundo das exatas já não é tão exato diante das mudanças climáticas”, completou.

Para o engenheiro mecânico Marcelo Souza, CEO da Indústria FOX, os avanços ainda dependem de uma nova mentalidade.“Enquanto pensarmos ESG como custo, não vamos evoluir. Precisamos ser criativos e construir novos modelos”, ponderou. Esse desafio ganha contornos específicos no setor de alimentos, como reforçou Reginaldo Morikawa, que possui formação multidisciplinar e é diretor de negócios da DAMM Alimentos. “Produzir de forma natural e com benefícios ambientais é hoje uma das grandes missões do nosso setor. Buscamos isso na produção do salmão na Patagônia, que se tornou a mais sustentável do Chile”, completou.

A apresentação da DEEP ESG, feita pelo seu CEO, o Eng. Arthur Covatti, reforçou que bons produtos e designs inteligentes são o que criam solidez a longo prazo. “Temos inúmeros desafios no Brasil, mas a boa Engenharia, com bons produtos e ótimos designs, é o que cria resiliência no longo prazo. Quando olhamos para equipes técnicas qualificadas, vemos a base para enfrentar incertezas com consistência”, destacou.

 

Os valores verdes

O foco passa ainda pelo retorno financeiro dessa integração. “Percebemos que o ESG não só traz valor para as marcas como gera retorno monetário. Ao mesmo tempo, o custo de não fazer é imenso para todos nós”, comparou Patricia Leisnock, CFO (Chief Financial Officer – ou responsável pela área financeira) do Albert Einstein. Na mesma linha, Lázaro Gouveia Matheus, consultor de negócios em carbono na Auren Energia, abordou o mercado de carbono, sinalizando que há espaço para soluções customizadas e estratégicas e para mais e melhores investimentos.

Ainda na linha da economia verde, o Brasil entrou no centro da transição sustentável, com destaque para os mercados de infraestrutura, inovação e energia. “O Brasil tem investido muito em infraestrutura, batido recordes, porém ainda pouco em relação ao PIB (Produto Interno Bruto – a soma de todas as atividades econômicas de um país em um ano), algo como 2%. Precisamos dobrar esse esforço diante das mudanças climáticas”, afirmou Miguel Setas, CEO da Motiva (antiga CCR). Ao todo, ele revela, a companhia possui 5 mil planos de resiliência climática para proteger seus ativos (estradas e construções de apoio) e serviços e o que é ofertado para a sociedade.

Por sua vez, Gilberto Peralta, CEO da Airbus Brasil, destacou os desafios da aviação moderna. “Cada nova geração de aeronaves é 20% mais eficiente, e caminhamos para emissão zero até 2050 com uso de hidrogênio verde. E o Brasil tem um potencial enorme nesse cenário”, concluiu. A Eng. Onara Lima, fundadora da ESG Advisory, fez uma provocação que resume as conversas: “quem ainda vê ESG como custo está equivocado, o mundo possui fundos com trilhões de dólares para a economia verde. A questão agora é como a Engenharia vai ajudar a escalar isso”.

 

 

Produzido pela CDI Comunicação

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