A ausência de mapeamento da infraestrutura local pode levar a falta de investimentos necessários para o crescimento econômico e melhora na qualidade de vida da população. Um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostrou que o Brasil investe apenas 2% de seu PIB em infraestrutura quando seriam necessários pelo menos 4,5% do Produto Interno Bruto em aplicação no setor. Em paralelo, o relatório de “Revisão da Integridade da OCDE sobre o Brasil 2025” apontou a falta de transparência relacionada ao tema como um dos gargalos para o crescimento.
Ampliar o investimento de forma eficiente, porém, exige diagnóstico e informação qualificada sobre a realidade de cada território, o que significa saber onde estão os maiores problemas, quais estados têm mais urgência e quais segmentos oferecem maior retorno social e econômico.
Para atender a essa necessidade, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) desenvolveu o Infra-BR – Índice Confea de Infraestrutura do Brasil. A plataforma, de acesso público e gratuito, reúne dados sobre as 27 unidades da federação em uma escala de 0 a 100, organizados em seis dimensões, 20 componentes e 67 indicadores. O índice, elaborado em parceria com a mesma equipe que desenvolveu o IPS-Brasil (Índice de Progresso Social) e seguindo o da American Society of Civil Engineers (ASCE), utilizado há décadas nos Estados Unidos, permite que os estados sejam classificados em notas relacionando o que já foi feito com o que precisa ser feito visando alcançar melhores resultados. Esse mapeamento cria ferramentas que possibilitam o gestor a saber em quais áreas destinar mais verbas.
“A infraestrutura é um desafio para o desenvolvimento brasileiro, mas o maior obstáculo é identificar onde aplicar os recursos, em qual estado e em qual segmento. Com esses indicadores, será possível distinguir o que é urgente do que pode ser planejado, fortalecendo a lógica de priorização baseada em evidências”, afirma o presidente do Confea, engenheiro Vinicius Marchese.
“O índice desenvolvido pelo Confea, portanto, pode ser um importante instrumento para a tomada de decisão por parte das lideranças políticas e dos administradores públicos”, complementa Vinicius Marchese.
O mapa mostra que a diferença entre regiões e estados puxa a média nacional para baixo. De um lado, o Distrito Federal, com 74,67 pontos. Do outro, o Acre, com apenas 28,46. Enquanto isso, dos oito estados com nota acima da média nacional, seis pertencem ao Sul e Sudeste. No extremo oposto, cinco dos sete estados com as piores notas estão na região Norte.
No Nordeste, o saneamento básico se destaca como o maior gargalo: Pernambuco registra 31,02 pontos nessa dimensão, o Maranhão, 18,85, e o Acre – pior colocado geral – chega a apenas 11,28 pontos em saneamento. Para efeito de comparação, o Paraná marcou 76,29 na mesma dimensão, enquanto o DF chega a 80,19.
Os indicadores podem ser utilizados para transformar políticas de Estado e modernizar a gestão com informações padronizadas e atualizadas ano a ano. Ao identificar vulnerabilidades territoriais, os apontamentos também permitem levar em consideração as ações de combate aos riscos climáticos e ineficiência operacional. Além disso, servem a população para que os moradores acompanhem e saibam quais são os desafios locais e regionais.
O Infra-BR – Índice Confea de Infraestrutura do Brasil estará disponível de maneira gratuita no site do Confea ou no site do Infra-BR: www.infrabr.org.br a partir de 16 de março.
O que o índice mede
O Infra-BR cobre os eixos em que a engenharia tem capacidade direta de atuação, organizados em seis dimensões:- Energia e Conectividade – telecomunicações, geração, transmissão e distribuição;
- Mobilidade – deslocamento intramunicipal, portos, escoamento de carga, rodovias e aeroportos;
- Água – qualidade e distribuição (dimensão separada pela sua criticidade para a vida humana);
- Meio Ambiente e Resiliência – adaptação climática, cobertura vegetal e conservação;
- Saneamento Básico – resíduos sólidos e esgoto.