A adaptação das cidades às mudanças climáticas passa, necessariamente, por uma revisão de como se projeta, constrói e gerencia o espaço urbano. Esse foi o eixo das discussões do palco sobre “Transição energética e climática” do Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas e Colégio de Inspetores 2026, que reuniu especialistas para debater o papel da área tecnológica na integração entre meio ambiente, gestão de riscos e políticas de resíduos diante de um cenário de eventos extremos cada vez mais frequentes.
No primeiro painel, dedicado à infraestrutura verde e às Soluções Baseadas na Natureza (SbN), o foco esteve na incorporação de elementos naturais ao planejamento urbano como forma de mitigar esses efeitos da crise climática. A geóloga Amarilis Gallardo, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), destacou que as soluções já não podem ser tratadas como complementares. “As soluções baseadas na natureza precisam estar no centro do planejamento urbano. Quando integradas à Engenharia, ampliam a capacidade das cidades de absorver impactos climáticos e responder a eventos extremos com mais eficiência”, afirmou.
Na mesma linha, o biólogo e fundador da Iandé, Guilherme Genari, trouxe a perspectiva da biomimética como ferramenta de inovação. Para ele, há um deslocamento necessário na forma como os projetos são concebidos, uma vez que a natureza já resolveu problemas complexos que a Engenharia ainda tenta equacionar. Segundo Genari, incorporar esses princípios aos projetos não é apenas uma escolha estética ou conceitual, mas uma estratégia técnica para criar soluções mais eficientes, resilientes e adaptadas ao ambiente. A discussão foi aprofundada em roda de conversa mediada pelo conselheiro federal suplente por São Paulo, Geol. Ronaldo Malheiros, com participação do público.
O segundo painel avançou sobre a resposta das cidades nesse contexto. O tenente Rodrigo Jordão, chefe de operações do Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil do Estado de São Paulo, apresentou a estrutura de atuação que hoje alcança 100% dos municípios paulistas e destacou a importância da gestão contínua de riscos. “A atuação em eventos extremos não começa na resposta, começa muito antes. Trabalhamos com prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação. Quando essas etapas estão integradas, o benefício é sempre maior”, explicou.
Encerrando as atividades, a palestra sobre planejamento e ações em resíduos sólidos trouxe uma abordagem estrutural sobre o tema, conectando legislação, indicadores e oportunidades econômicas. O especialista em Direito Ambiental, José Valverde Júnior, ressaltou que a Engenharia tem papel central na reorganização da cadeia de resíduos. Segundo ele, os profissionais da área são os mais preparados para estruturar soluções para o setor, especialmente no avanço da logística reversa. Na avaliação do especialista, o mecanismo precisa deixar de ser visto apenas como exigência legal e passar a integrar uma nova cadeia de valor, orientada pela economia circular.
Produzida pela CDI Comunicação




