Inovação no campo e logística pautam debates no Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas

Especialistas trataram sobre avanços da agricultura digital e a necessidade de investimentos para o desenvolvimento sustentável
10 de abril de 2026, às 12h37 –
Tempo de leitura aproximado: 5 minutos

O protagonismo de São Paulo como centro estratégico de inovação e distribuição agrícola esteve no centro dos debates do Palco sobre Agricultura, Abastecimento e Bioeconomia do Colégio de Inspetores e o Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas do Crea-SP. Especialistas discutiram o destino da produção agrícola brasileira, a conversão de dados em decisões agronômicas e os entraves logísticos que limitam a competitividade do setor no mercado internacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No primeiro painel, comandado pelos engenheiros agrônomos Luís Henrique Bassoi e Ricardo Arruda, com mediação do também Eng. Agr. Emanuel Batista, com o tema Conectividade Rural e Agricultura Digital, a discussão se concentrou na jornada tecnológica no campo sob a ótica da Agricultura 5.0. O debate mostrou que a digitalização já é uma realidade no setor, embora ainda enfrente barreiras estruturais que limitam sua expansão.

Para os palestrantes, a agricultura de precisão evoluiu de uma estratégia de gestão da variabilidade para um ecossistema integrado, no qual sensores terrestres, drones e satélites operam de forma conjunta. No entanto, o avanço dessa “inteligência verde” esbarra na conectividade rural e na capacitação dos profissionais que atuam na ponta.

Com cerca de 66% das áreas agrícolas brasileiras ainda sem cobertura 4G, o desafio da Engenharia e das políticas públicas é garantir que o fluxo de informações chegue ao produtor em tempo real, permitindo a economia de insumos e herbicidas por meio de aplicações em taxa variável, o que reduz custos de produção.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Essa eficiência no ambiente produtivo, contudo, perde força ao encontrar uma infraestrutura de transporte e armazenamento ainda deficitária. Durante o segundo painel do dia, sobre Logística e Armazenamento da Produção, Eng. Agr. Thiago Guilherme Péra e Eng. Agr. Andréa Leda, com mediação da Eng. Agr. e diretora técnica do Crea-SP Gisele Herbst Vazquez destacaram que o país armazena apenas 70% de sua produção nacional, um déficit que compromete a segurança alimentar e a rentabilidade.

A dependência excessiva do modal rodoviário também foi um dos pontos debatidos, uma vez que hoje responde por 65% do transporte de cargas no país. Somada à precariedade das estradas vicinais no Sudeste, essa predominância gera prejuízos bilionários e um impacto ambiental significativo, com a emissão evitável de milhões de toneladas de dióxido de carbono. Na avaliação dos palestrantes, a urgência está na ampliação da intermodalidade. Ferrovias e hidrovias precisam crescer em ritmo superior ao da produção para que o país não perca espaço nos mercados globais.

Na ponta final da cadeia de exportação, o Porto de Santos surge como termômetro da economia nacional. Responsável por grande parte das exportações brasileiras e pelo escoamento de quase a totalidade do suco de laranja, algodão e café do país, o complexo portuário exige operações de engenharia de alta complexidade. O Eng. Matheus Novaes e Oceanógrafo Mauricio Gaspar enfatizaram, na última palestra do dia, a necessidade da dragagem de manutenção para garantir o calado – distância vertical entre a linha da água e a parte mais baixa do casco do navio, ou seja, mostra a parte submersa do navio – necessário aos grandes navios modernos.

O debate técnico apontou para a busca por sustentabilidade nessas obras, com o uso de diretrizes internacionais para a gestão de sedimentos e de superfícies 3D no monitoramento hidroviário, visando reduzir custos e otimizar o canal de navegação.

O evento também abriu espaço para a voz dos profissionais que atuam na ponta desse sistema. Para o Eng. Matheus Borba, representante de Ituverava, no interior paulista, o foco em infraestrutura foi o ponto alto das discussões.

“O que mais me chamou a atenção foi a preocupação com a infraestrutura. Se não dermos a devida atenção agora, daqui a dez anos enfrentaremos exatamente os problemas que foram previstos aqui. Ficou claro que precisamos investir mais nos modais ferroviário e hidroviário, pois nossas rodovias já estão sobrecarregadas. Levo para a minha cidade uma bagagem de conhecimento muito valiosa sobre esses gargalos estratégicos”, afirmou Borba.

Com o final dos debates, ficou evidente que a liderança de São Paulo no setor passa, necessariamente, pela integração entre inovação no campo e infraestrutura logística eficiente. O fortalecimento de políticas públicas voltadas à conectividade rural e à expansão dos modais de transporte surge, assim, como eixo estratégico para garantir competitividade, sustentabilidade e crescimento econômico.

 

Produzido pela CDI Comunicação

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