BIM no Brasil: a revolução da eficiência nas obras

Painel discutiu como a metodologia e a Nova Lei de Licitações podem transformar a gestão da Engenharia
15 de julho de 2026, às 17h14 –
Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

As discussões sobre o futuro das cidades e a modernização administrativa ganharam forma no Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas e Colégio de Inspetores 2026, realizado em março. O palco dedicado à Inovação, Tecnologia e Gestão Pública apresentou iniciativas voltadas à transformação do setor, atraindo uma plateia interessada em soluções práticas para otimizar a infraestrutura com a Engenharia como protagonista. O debate central do painel detalhou como a Modelagem da Informação da Construção (BIM, na sigla em inglês) pode revolucionar a transparência em obras públicas, garantindo orçamentos precisos e o cumprimento rigoroso de prazos.

O painel “BIM no Brasil: Desafios e Oportunidades” foi conduzido pelo engenheiro civil Fernando Rosa, vice-presidente do Crea-SP (acima), que mediou a conversa focada na transição para uma jornada estratégica. O coordenador executivo da Frente Parlamentar do BIM,  engenheiro Washington Lüke (foto abaixo), destacou o impacto da Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), que prioriza fluxos integrados para elevar a produtividade nacional. “O uso de modelos digitais pode elevar o PIB do setor em 7% até 2028. O BIM é um meio; o fim é a entrega do objeto”, disse.

A discussão ganhou profundidade técnica com a arquiteta Mônica Sarraf (acima), especialista na metodologia, em gestão de projetos e certificada pela buildingSMART, que posicionou o BIM como um “banco de dados vivo”. Para ela, a eficiência depende de informações estruturadas que sobrevivam ao longo de todo o contrato. “O problema não reside na ausência de ferramentas, mas na falta de processos que alcancem a especificidade necessária. O BIM resolve isso ao criar uma obra virtual que antecipa o planejamento e minimiza o retrabalho”, pontuou.

Para que essa engrenagem funcione, o debate avançou sobre a necessidade de uma governança tática sólida, onde leis e decretos se transformam em fluxos de trabalho. Lüke lembrou que o poder de compra do Estado deve ser o grande fomentador dessa inovação, utilizando modalidades como o Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI) para desafiar o mercado a entregar resultados superiores. Ele comparou a complexidade da plataforma a um jogo, onde o sucesso depende menos do software e mais da experiência em gerir o seu escopo.

Durante as perguntas da plateia, a ênfase foi o fator humano – cultura organizacional e liderança – e questões de utilização da plataforma. Os especialistas concordaram que a implementação da tecnologia não deve criar ilhas isoladas, e sim integrar servidores e a alta gestão em uma consciência comum de produtividade. Mônica reforçou que é preciso desconstruir o estigma de que o BIM é apenas um montador de “maquetes bonitas” ou uma ferramenta de realidade virtual, tratando-o como o pilar fundamental que sustenta o ciclo de vida de cada empreendimento moderno.

A conclusão do encontro reforçou que a Engenharia brasileira atravessa um ponto de inflexão. Ao articular o rigor das legislações vigentes à precisão dos modelos digitais, o setor público ganha condições de avançar em direção a uma gestão mais transparente, eficiente e orientada a resultados. Com o apoio de instituições como o Crea-SP, o BIM deixa de ocupar o campo das promessas e se consolida como um padrão de excelência indispensável para a qualificação da infraestrutura e a entrega efetiva de serviços à sociedade.

Produzido pela CDI Comunicação

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