O último dia da 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), realizado nesta sexta-feira (16/10), marcou o encerramento de uma intensa jornada de debates sobre o futuro das Engenharias, Agronomia e Geociências. Realizado pelo Confea em Aracaju (SE), profissionais, estudantes e lideranças do Sistema Confea/Crea e Mútua acompanharam painéis estratégicos focados em planejamento estatal, tecnologias digitais e grandes projetos de mobilidade.
O presidente do Confea, engenheiro de telecomunicações Vinicius Marchese, enfatizou a mobilização nacional e o legado desta edição. “A SOEA não termina aqui. Ela é, na verdade, um grande ponto de partida. Tudo o que debatemos ao longo desta semana precisa agora gerar ações nos nossos Estados. Saímos de Aracaju com a convicção de que a área tecnológica é o verdadeiro motor da transformação do Brasil, e é nossa responsabilidade assumir o protagonismo desse desenvolvimento”, afirmou.
A presidente do Crea-SP, engenheira civil Lígia Mackey, fez um balanço do evento e evidenciou a relevância dos temas trazidos na reta final. “Encerrar a SOEA com debates tão fundamentais reforça o tamanho da nossa responsabilidade. Políticas públicas eficientes, inovações tecnológicas e projetos complexos só se tornam realidade quando contam com a força de trabalho da Engenharia, Agronomia e Geociências. Saímos ainda mais preparados para liderar as mudanças que nosso país exige”, destacou.
O peso do conhecimento técnico nas decisões do Estado foi reforçado ao longo da programação de encerramento. O painel “O papel da Engenharia na construção de políticas públicas eficientes” foi conduzido pela secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, engenheira civil Natália Resende. O encontro enfatizou como a especialização dos profissionais da área é indispensável para embasar legislações robustas, elaborar estratégias de longo prazo e garantir o desenvolvimento sustentável das cidades.
A pauta tecnológica também teve amplo espaço nas discussões sobre “IA na Construção Civil”. Durante a atividade, os participantes puderam aprofundar as perspectivas sobre como a inteligência artificial tem redefinido o canteiro de obras, auxiliando na otimização de projetos, na redução de custos e prazos, além de garantir maior precisão e segurança nas operações diárias do setor.
O olhar para as infraestruturas costeiras e logísticas direcionou os debates do painel “Águas em movimento: desafios e perspectivas para portos e oceanos”. A temática conectou profissionais na busca por soluções estruturais frente às mudanças climáticas, apresentando perspectivas do ramo portuário, a economia azul e a preservação da costa brasileira.
Completando o leque de discussões sobre desenvolvimento, um dos projetos estruturais mais aguardados do Estado de São Paulo e do país ganhou o palco principal no painel “Túnel imerso Santos x Guarujá: um novo paradigma da Engenharia brasileira”. A atividade foi mediada pelo conselheiro federal por São Paulo, engenheiro de produção Daniel Robles, e conduzida pelo diretor técnico da TSG Concessionária, responsável pela obra, engenheiro geólogo Ricardo Andrade, que destrinchou os desafios construtivos, a Engenharia de ponta e os impactos positivos do empreendimento para a mobilidade da Baixada Santista.
“Nosso grande desafio é realizar uma entrega que seja inteligente, operável e em que possamos fazer toda análise durante o processo de forma que, em nenhum momento, coloquemos em risco a segurança e o conforto dos usuários”, ressaltou Andrade.
O engenheiro civil André de Fazio Neto, presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS Santos) e conselheiro do Crea-SP, reforçou o impacto histórico e tecnológico, lembrando que esta ligação é uma reivindicação muito antiga que finalmente sairá do papel. “É atualmente a maior obra no Brasil. Representa uma fantástica transferência de conhecimento que o país passará a deter, o que trará sustentabilidade, mobilidade e progresso para toda a Baixada Santista”, afirmou.
Além dos painéis e dos espaços de relacionamento, a pesquisa acadêmica também teve protagonismo garantido por meio do Congresso Técnico e Científico da Engenharia e da Agronomia (Contecc). Nesta edição, foram 12 trabalhos técnicos e 12 científicos selecionados entre 421 propostas inscritas por profissionais e estudantes de todo território nacional.
O destaque paulista no espaço ilustra a força da pesquisa acadêmica aplicada e a vocação tecnológica do Estado. O “Desenvolvimento de motor foguete Classe M como projeto de aprendizagem em Engenharia Aeroespacial”, elaborado por Verônica Fiorin Arruda e pela professora Heidi Korzenowski, da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), detalha o ciclo completo de concepção de um mecanismo propulsivo a propelente sólido. O estudo integra as etapas de modelagem, simulação computacional, fabricação e validação experimental por meio de ensaios.
A diretora técnica do Crea-SP e especialista avaliadora do congresso, engenheira agrônoma Gisele Herbst Vazquez, reforçou o caráter transformador da Arena Contecc, destacando também a forte participação de modalidades como a Agronomia e a Engenharia Civil. “Procuramos soluções práticas, ligadas a problemas de inovação e sustentabilidade. É muito bom poder incentivar o recém-formado e o jovem profissional. Tivemos trabalhos muito práticos e interessantes focados em IA, resíduos e construções mais sustentáveis”, pontuou a diretora, lembrando ainda a evolução estrutural do evento, que substituiu os antigos banners físicos por apresentações em painéis totalmente digitais.
O balanço positivo do encontro e a relevante integração nacional foram enaltecidos pelo coordenador do Colégio de Entidades Regionais de São Paulo (CDER-SP), engenheiro de operação Luiz Augusto Moretti. Participante da SOEA desde 2009, Moretti reflete sobre o salto ao longo dos anos. “A evolução nos últimos três anos foi fantástica. São palestras hoje que atendem todas as áreas da Engenharia e até áreas que são de aperfeiçoamento pessoal que o engenheiro precisa. É fundamental para essa ligação entre os Estados e os profissionais de todo o país”, avaliou.
Com mais de 5 mil inscritos, cerca de 150 palestrantes e um saldo altamente produtivo de dezenas de painéis, minicursos, fóruns e espaços focados em networking, a 81ª SOEA se despede de Aracaju como o maior polo de conhecimento e integração da área tecnológica no Brasil. Confira, no canal da TV Confea no YouTube, a transmissão dos quatro dias de evento para mais detalhes.
Produzido pela CDI Comunicação




