A produção de alimentos vai muito além dos resultados econômicos do campo: é também um fator essencial para a segurança alimentar e a estabilidade social. Essa foi uma das principais mensagens do engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, durante a palestra “Perspectivas do Agronegócio”, realizada na 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), em Aracaju (SE).
Ao abordar os desafios e as oportunidades do setor, Rodrigues ressaltou que o Brasil reúne condições fundamentais para ampliar sua contribuição ao abastecimento global, combinando disponibilidade de terras, inovação e potencial técnico. “O mundo precisa de paz para gerar riqueza e renda, e nós temos terra, tecnologia e gente competente para fazer isso”, afirmou.
Professor emérito da Fundação Getulio Vargas (FGV), o ex-ministro destacou a importância do agronegócio em um cenário internacional marcado por incertezas e transformações geopolíticas. Nesse contexto, a capacidade de produzir alimentos de forma sustentável ganha relevância não apenas para atender à demanda mundial, mas também para evitar crises provocadas pela escassez.
Segundo Rodrigues, o potencial brasileiro precisa ser acompanhado de planejamento estratégico e articulação entre os diferentes setores. Para ampliar a competitividade e aumentar as exportações, o país deve investir em logística e infraestrutura, fortalecer a segurança jurídica, diversificar a produção, ampliar instrumentos de proteção de renda para os agricultores e consolidar acordos comerciais. Ainda segundo Roberto, o avanço também depende do compromisso com a sustentabilidade e do combate a práticas ilegais, como desmatamentos e incêndios.
Tecnologia impulsiona a produtividade no campo
O protagonismo do agronegócio nacional no mercado internacional é sustentado por avanços tecnológicos e conhecimento técnico acumulado ao longo de décadas. Segundo levantamento publicado pela revista britânica The Economist, o Brasil é o maior exportador agrícola do mundo, respondendo por 12,5% do comércio global, à frente dos Estados Unidos, com 12%. O desempenho também se reflete na colheita nacional: de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2025/26 deve alcançar 360,8 milhões de toneladas, crescimento de 2,4% em relação ao ciclo anterior.
Para o engenheiro agrônomo Glauco Eduardo Pereira Cortez, diretor de Relações Profissionais do Crea-SP, a evolução tecnológica é um dos fatores que explicam os avanços da eficiência no campo. “Hoje existem máquinas e pulverizadores cada vez mais eficientes, além de sistemas de sensoriamento remoto. No comparativo das safras dos anos de 1976 e 1977 com as de 2023 e 2024, houve um aumento de produtividade em mais de 500%. Em contrapartida, a área plantada aumentou pouco mais de 100%, o que indica que o volume colhido triplicou”, analisa.
O resultado também está associado à adaptação da agricultura às condições de solo e clima do país, ao desenvolvimento de cultivares e ao aprimoramento do manejo agrícola. Essas soluções permitem aproveitar melhor as áreas cultivadas e ampliar o rendimento das lavouras, fortalecendo a competitividade brasileira no mercado internacional.
Produzido pela CDI Comunicação

