A ocorrência do caruru gigante (Amaranthus palmeri) no estado de São Paulo foi o tema de workshop promovido pelo Crea-SP Capacita, de forma on-line, na manhã desta segunda-feira (22/6). Ao longo do encontro, foram abordados aspectos técnicos como a identificação da espécie, seu potencial de disseminação e os prejuízos causados à produtividade.

A engenheira agrônoma e diretora técnica do Conselho, Gisele Herbst Vazquez, alertou que a planta cresce muito rápido, cerca de dois a três centímetros por dia, tornando-se uma competidora agressiva nas lavouras. Além disso, uma única planta pode produzir mais de meio milhão de sementes minúsculas que se espalham facilmente pelas lavouras de soja, milho e algodão, principalmente por meio do trânsito de máquinas agrícolas. Classificado oficialmente como praga quarentenária de nível dois, o caruru gigante está sob monitoramento rigoroso para evitar que avance e cause prejuízos à produção.

O engenheiro agrônomo Adão Marin, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Diretoria de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, explicou que a espécie não existia no Brasil antes de 2015. À época, o foco do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) era fiscalizar as fronteiras e desinfetar maquinários importados. Segundo ele, especula-se que a entrada da planta tenha ocorrido por colheitadeiras de algodão vindas dos Estados Unidos.
O primeiro registro oficial aconteceu em junho de 2015, em Mato Grosso, gerando normas locais para proibir o trânsito de máquinas nas propriedades afetadas. Em 2018, o Governo Federal classificou o caruru gigante como praga quarentenária presente, com controle focado na região Centro-Oeste. A preocupação nacional aumentou em 2023, quando a planta chegou ao Mato Grosso do Sul, provocando levantamentos em outros estados. Em São Paulo, as fiscalizações começaram no fim de 2022 e foram intensificadas em 2023, com 485 vistorias em 180 municípios.
Em maio de 2024, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) criou um programa nacional de prevenção. Já no último mês de fevereiro, após a identificação de um foco no município de Mirassol, no interior de São Paulo, a Defesa Agropecuária paulista instituiu um plano estadual coordenado para o controle e erradicação da praga, visando proteger o agronegócio e manter a agricultura da região livre da ameaça.

A engenheira agrônoma Juciléia Irian dos Santos, especialista agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo com ênfase em vigilância fitossanitária, apresentou os riscos financeiros do problema. Dados apontam potenciais de perda de até 77% no algodão, 79% na soja e 91% no milho. Para conter o avanço, a Defesa Agropecuária realiza, ainda, levantamentos amostrais frequentes, cadastro obrigatório de propriedades de soja, instituído em 2021 e investimento em educação sanitária.

O evento também contou com a participação do engenheiro agrônomo Acácio Gonçalves Netto, consultor e pesquisador da Agro do Mato Soluções Agronômicas, empresa que atende mais de 65 usinas pelo país. Ele participou dos trabalhos iniciais de identificação da praga há 11 anos e compartilhou seu conhecimento sobre o histórico do Amaranthus palmeri. O especialista explicou que, enquanto em 2015, os casos estavam restritos a Brasil, Argentina, Israel e Estados Unidos, hoje, a praga foi identificada em 10 países, reforçando a importância de os profissionais realizarem a identificação correta da espécie no campo.
Agenda do mês
O cronograma de junho finaliza no dia 25, a partir das 19h, com o segundo módulo da “Trilha de Gestão Pública 2026″, com o tema “Plano Diretor”, em Itapeva, interior do Estado.
A agenda completa do Crea-SP Capacita está disponível aqui. Todas as atividades são gratuitas e contam com certificação para os participantes. A programação do mês pode ser atualizada; por isso, a recomendação é acompanhar a plataforma do programa, onde também estão disponíveis as inscrições. Já as transmissões ao vivo poderão ser acompanhadas tanto pelo site do programa quanto pelo canal oficial da TV Crea-SP no YouTube.
Produzido pela CDI Comunicação
