“Que movimento eu fiz hoje pela diferença?”. A provocação, feita pela especialista em comunicação corporativa e acessível, Thais Eloise, sintetizou o tom do “Papo Reto – Diversidade e inclusão nas Engenharias”, realizado na sexta-feira, 17/04, na Sede Angélica do Conselho, com transmissão on-line. Promovido pela Secretaria Estadual da Justiça e Cidadania (SJC), por meio da Coordenadoria Geral de Cidadania e Direitos Humanos (CGCDH), em parceria com o Comitê de Diversidade do Crea-SP, o encontro reuniu especialistas, profissionais e representantes institucionais para discutir sobre os caminhos de inclusão na área tecnológica.
O evento se consolidou como um espaço de escuta e troca de experiências, trazendo reflexões sobre a ampliação da participação de diferentes grupos sociais na Engenharia, Agronomia e Geociências, com destaque também para a conexão entre diversidade, inovação e responsabilidade social. A mediação ficou por conta da educadora Maisa Cristina Ferreira Costa, coordenadora geral de Cidadania e Direitos Humanos da SJC e integrante do Comitê de Diversidade. “A educação transforma pessoas, e são as pessoas que transformam o mundo”, afirmou, ao destacar que o avanço da pauta depende de processos contínuos de aprendizado e conscientização.
A engenheira Nauany Xavier, coordenadora do Comitê de Diversidade, reforçou a importância da atuação prática e articulada para que a inclusão se torne efetiva. Ela destacou que o trabalho coletivo, a escuta das necessidades e a compreensão dos desafios são fundamentais para promover uma inclusão concreta. Além disso, pode ampliar o alcance das ações, e ajudar no aprendizado com diferentes experiências, contribuindo para a formação de novas referências.
Na mesma direção, o advogado Rafael Calumby Rodrigues destacou que o debate sobre diversidade ainda representa, em muitos contextos, um ponto de partida. Segundo ele, é necessário atuar como multiplicador dessa cultura, disseminando informação e contribuindo para mudanças concretas, reconhecendo que as diferenças são justamente o que tornam esse diálogo essencial.
Para o Adv. Robson Silva Ferreira, coordenador de Políticas para a População Negra do Estado de São Paulo, o desafio está em transformar o debate em ação contínua, com investimento em ações afirmativas que contribuam para uma sociedade mais plural e sustentável. Ele também ressaltou a importância da representatividade. “Quando você se vê e se identifica, passa a acreditar em novas possibilidades”.
A relação entre diversidade e qualidade técnica foi destacada pelo Eng. Yves Carbinatti, inspetor do Conselho em Rio Claro e integrante do Comitê. “Quando ocupamos esses espaços e vivenciamos isso na prática, os projetos se tornam mais completos. A Engenharia precisa ser
pensada para todos e com todos. A frase ‘nada sobre nós, sem nós’ precisa orientar esse processo”, destacou em sua participação especial nas discussões.
A necessidade de avançar do discurso para a prática foi enfatizada por Thais Eloise, que integrou o debate por videoconferência. Ela destacou que não há evolução sem a presença de múltiplas vozes e que a inclusão precisa se refletir tanto no discurso quanto nas atitudes do dia a dia, com pequenas ações capazes de transformar o ambiente ao redor.
Conselho em transformação
As transformações institucionais foram evidenciadas a partir das perspectivas de quem acompanhou a transmissão do encontro e faz parte da rotina do Conselho. Jullian Michel de Souza, operador de teleatendimento da Unidade de Relações Institucionais (URI) do Crea-SP destacou a evolução da autarquia ao longo dos anos. “Quando entrei, em 2007, era uma ambiente mais tradicional. Hoje, vejo um Conselho mais próximo das pessoas, mais aberto ao diálogo e à sociedade”, relatou. Para ele, a mudança na comunicação também reflete esse movimento, trazendo mais acolhimento e identificação, o que desperta interesse, aproxima e tem relação direta com a diversidade.
O conselheiro do Crea-SP, Eng. Alexandre Marques, integrante do Comitê, também destacou o avanço do tema. “A discussão sobre diversidade começou como uma semente e hoje ganha mais força e alcance. Quando falamos de inclusão, ampliamos o olhar para diferentes realidades e vivências, o que também passa pela nossa própria experiência. Ver esse tema ganhar espaço na autarquia mostra que estamos abrindo caminhos”, afirmou.
Na mesma linha, o engenheiro Vagner Santos, também membro do Comitê, avaliou o encontro como um passo importante para ampliar a conscientização, destacando que debates como esse contribuem para levar o tema às organizações e orientar a atuação das pessoas diante dessas questões, o que considera fundamental para o desenvolvimento profissional e pessoal.
Produzido pela CDI Comunicação

