Celebrado neste 5 de junho, o Dia do Engenheiro Mecânico traz, para além do reconhecimento da profissão, uma reflexão sobre os rumos da carreira. A data é uma homenagem ao nascimento do industrial Delmiro Gouveia (1863-1917), um dos pioneiros da industrialização, do empreendedorismo e da infraestrutura no Brasil.

Entre suas principais contribuições, estão a construção da primeira fábrica de linhas de costura e a Angiquinho, primeira usina hidroelétrica da região Nordeste e a segunda brasileira, na divisa dos estados de Alagoas e Bahia. Ele deixou ainda ensinamentos como o conceito de visão de ecossistema (verticalização), a importância no investimento em capital humano, a resiliência contra monopólios e a desmistificação do sertão.
Para o engenheiro mecânico Marcelo Perrone, diretor administrativo do Crea-SP, o reconhecimento é fundamental para resgatar a identidade da área como ciência do movimento, do desenvolvimento tecnológico e da inovação. “A data consolida a integração da categoria profissional sob uma mesma governança, orgulho profissional e ética corporativa. Conecta as novas gerações de engenheiros ao legado de inventores e pioneiros que moldaram a infraestrutura industrial global”, diz.
A Engenharia Mecânica é uma das que mais abrange diferentes áreas do conhecimento tecnológico, como materiais, projetos mecânicos, processos de fabricação, fluidotérmicos e gerenciamento de produção e serviços. Segundo Perrone, além de projetarem, desenvolverem e realizarem a manutenção de equipamentos diversos, profissionais da categoria podem realizar funções como perícias, avaliações, vistorias, arbitramentos, especificações, escolha de materiais para equipamentos industriais, laudos e pareceres técnicos.
“O Engenheiro Mecânico é o profissional que olha para o futuro, que hoje integra da mecânica clássica à programação, à inteligência artificial, à robótica e à ciência de dados”, comenta. Ele diz ainda que esse é o profissional que tem o “papel de peça-chave” na transição energética, no desenvolvimento de motores elétricos, hidrogênio verde e processos de manufatura com baixa emissão de carbono.
Ao realizar um panorama da profissão nos dias atuais, ele explica que, como a Engenharia Mecânica tem um protagonismo fundamental para a geração de energia – principalmente nas alternativas limpas -, o país se destaca no cenário global, com amplo mercado de trabalho, além da implantação e do desenvolvimento das indústrias 4.0 e 5.0.
A Indústria 4.0, inclusive, é parte do desafio principal da profissão: a necessidade de migrar do foco puramente físico-mecânico para a integração digital (sistemas ciberfísicos), acelerada também pela inteligência artificial. “O engenheiro mecânico moderno não projeta mais apenas peças isoladas; ele projeta sistemas inteligentes que geram dados, comunicam-se e tomam decisões automatizadas”, afirma.
Com base nisso, o diretor orienta que, antes de ingressar no curso, o estudante conheça as atribuições da carreira para alinhar suas expectativas. É preciso ter em mente também que o mercado atual não busca mais o “engenheiro do cálculo e do metal”, mas exige um profissional completo, com domínio digital profundo, sustentabilidade prática e habilidades humanas.
Produzido pela CDI Comunicação
