Planejar cidades e regiões exige muito mais do que investimentos em infraestrutura. O uso de dados confiáveis, estratégias de longo prazo e lideranças capazes de transformar conhecimento em políticas públicas são fatores essenciais para promover a sustentabilidade. Esses temas nortearam o workshop on-line “Do Território à Inovação: Liderança Feminina, Infraestruturas e Dados como Motores do Desenvolvimento Regional”, realizado pelo Crea-SP Capacita na quinta-feira (23/07).
O encontro foi mediado pela coordenadora do Comitê de Intercâmbio e Mobilidade Profissional do Conselho, engenheira civil Marci Alves, e contou com a participação da geógrafa portuguesa Cristina Silva Ferreira, assessora da Presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) para assuntos internacionais. Com mais de 30 anos de atuação na administração pública do país europeu, a convidada trouxe reflexões sobre ordenamento, inovação e cooperação internacional.
Em sua apresentação, Cristina explicou como esses elementos se complementam para impulsionar o crescimento regional. “Os territórios não se desenvolvem por acaso. São resultado de decisões que cruzam três fatores fundamentais: infraestrutura, dados e pessoas. Mas há um elemento-chave que faz a diferença: a liderança”, afirmou.
Para a especialista, a transformação depende da articulação entre diferentes atores e de uma condução capaz de integrar esforços. “Sem um comando que assegure uma governança fluída, promova a convergência da dedicação e de recursos e incentive a criação de alianças em projetos concretos, o processo pode falhar”, observou.
Na sequência, a geógrafa apresentou experiências europeias que demonstram como o uso de dados orienta investimentos e fortalece o desenvolvimento. Para a palestrante, decisões baseadas em evidências permitem identificar desafios, medir resultados e direcionar recursos de forma mais eficiente.
A palestra também abordou a liderança feminina. Fundadora da iniciativa Women in Business (WinB), Cristina compartilhou a história por trás da origem do projeto. “Percebi que a maioria das minhas conexões era composta por homens. Criamos, então, essa rede de apoio, com espaços de networking, debates, prêmios e parcerias, sem orçamento, mas com impacto real”, relembrou.
Na visão da geógrafa, ampliar a participação feminina em posições de comando estimula a diversidade de perspectivas na tomada de decisões e na construção de soluções inovadoras, o que também contribui para a expansão dos territórios.
Ao encerrar o workshop, Marci destacou o valor da troca entre os dois países para enfrentar desafios semelhantes. “Esses desafios não se limitam a Portugal, então é muito importante conhecer as experiências para entendermos que essas questões são comuns e que podemos nos conectar para contribuir mutuamente”, concluiu.
Termo fortalece mobilidade profissional
A cooperação entre os dois países também se reflete no Termo de Reciprocidade firmado entre o Confea e a Ordem dos Engenheiros de Portugal (OEP), que permite o registro recíproco de engenheiros brasileiros e portugueses, facilitando o exercício profissional em ambos os países, sem necessidade de revalidação do diploma, desde que atendidos os requisitos previstos. Mais informações sobre o acordo estão disponíveis na página do Termo de Reciprocidade entre Brasil e Portugal.
O conteúdo completo deste e de outros debates do programa está disponível na plataforma do Crea-SP Capacita.
Produzido pela CDI Comunicação
