Dia do Geógrafo: a arte de ler o espaço e o futuro da profissão

Data reforça o papel do profissional na sociedade
29 de maio de 2026, às 12h00 –
Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

O Dia do Geógrafo, celebrado em 29 de maio, representa um momento de reconhecimento da importância da Geografia nas cidades. É uma oportunidade para fortalecer a categoria, ressaltar sua relevância e reafirmar sua contribuição em temas como planejamento urbano, meio ambiente e mudanças climáticas.

“O grande diferencial do geógrafo é a sua capacidade de análise integrada do espaço”, ressalta a diretora técnica adjunta do Crea-SP, engenheira agrônoma, de segurança do trabalho e geógrafa Eltiza Rondino Vasques, ao destacar a atuação desse profissional.

Segundo ela, o geógrafo entende perfeitamente a relação entre natureza e sociedade. Esse profissional analisa processos físicos, sociais, econômicos e culturais de forma conjunta, trabalhando com uma visão sistêmica do território. “Essas características são essenciais para a tomada de decisões mais equilibradas e sustentáveis”, diz. Atualmente, há mais de mil geógrafos registrados no Crea-SP.

É comum ouvir ainda que este é o profissional que sabe “ler o espaço”. Eltiza explica que essa expressão traduz a habilidade de entender que cada território é construído pela união entre a natureza e as ações humanas. “Esse olhar envolve identificar padrões de ocupação, entender as desigualdades socioespaciais, analisar impactos ambientais e interpretar as transformações ao longo do tempo”, detalha.

 

Legado de Milton Santos

Ao falar sobre Geografia, o nome de Milton Santos é uma referência obrigatória. Em 2026, ano do centenário de seu nascimento, vale revisitar a trajetória de um dos principais nomes da área no mundo.

Entre seus ensinamentos, lembra Eltiza, estão a crítica ao uso do território apenas como recurso econômico, a necessidade de inclusão social no planejamento urbano e a valorização do espaço vivido pelas populações. “Muitos gestores ainda priorizam interesses econômicos de curto prazo, ignorando os impactos sociais. Aplicar os conceitos de Milton Santos significa planejar com equidade, reduzir as desigualdades territoriais e colocar o ser humano no centro das decisões”, afirma a especialista.

Pensando no universitário que está hoje cursando Geografia, ela ressalta que o geógrafo do futuro precisará combinar conhecimentos técnicos com visão crítica. Entre as habilidades essenciais para o mercado atual, diz, estão o uso de geotecnologias, como os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e o sensoriamento remoto, a análise de dados e o uso de inteligência artificial, além de pensamento crítico, interdisciplinaridade, compreensão socioambiental, comunicação e interpretação territorial.

“O recado que dou é para não perder a essência da Geografia, que é compreender o mundo de forma integrada e humana. A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas o diferencial será sempre a capacidade de interpretar o espaço com sensibilidade, senso crítico e compromisso social”, conclui.

 

Produzido pela CDI Comunicação

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