Celebrado em 30 de maio, o Dia do Geólogo marca a regulamentação da atividade no Brasil e destaca a relevância dos profissionais que transformam conhecimento técnico em segurança, planejamento e desenvolvimento para a sociedade. A escolha da data carrega um importante significado histórico: ela homenageia a aprovação do Projeto de Lei Federal nº 2028/60, em 1962, que deu origem à Lei Federal nº 4.076, regulamentadora da profissão no país.
Atualmente, são mais de 2 mil geólogos e engenheiros geólogos registrados no estado de São Paulo. Em um cenário marcado por mudanças climáticas, eventos extremos e crescente demanda por infraestrutura sustentável, a atuação desses profissionais ganha ainda mais relevância.
Formado pelo Instituto de Geociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro e atuando na área desde 1985, o engenheiro geólogo Miguel Borduque, que presta consultoria em geologia e recursos humanos para empresas como Ambev, destaca que a data simboliza a valorização de uma carreira essencial para o planejamento do território nacional.
“O Dia do Geólogo representa o reconhecimento de uma profissão estratégica para qualquer país. O geólogo brasileiro atua desde a descoberta de recursos minerais e hídricos até a prevenção de desastres naturais, sendo essencial para o planejamento do desenvolvimento econômico em todas as regiões”, afirma.
A Geologia está presente em diversas frentes da sociedade. O profissional atua em áreas como mineração, energia, meio ambiente, hidrogeologia, construção civil e prevenção de riscos geológicos. Em obras de grande porte, como metrôs, barragens, túneis, pontes e rodovias, a análise do solo e das rochas é determinante para garantir segurança estrutural e evitar falhas que podem gerar impactos humanos, ambientais e econômicos.
Segundo Borduque, a participação técnica do geólogo é decisiva para a prevenção de situações associadas a enchentes e deslizamentos, especialmente em áreas urbanas vulneráveis. “A gente identifica áreas de risco, avalia a estabilidade dos terrenos e auxilia no planejamento urbano para projetar ocupações mais seguras. Trabalhos preventivos com a nossa participação podem salvar vidas, reduzir prejuízos econômicos e melhorar muito a qualidade de vida nas cidades”, explica.
A integração entre modalidades da área tecnológica também aparece como um dos pilares para o sucesso de grandes empreendimentos. “A Geologia fornece a compreensão do comportamento e das fraquezas naturais do terreno, enquanto a Engenharia transforma essas informações em soluções estruturais seguras. É este trabalho conjunto que reduz riscos de colapsos, infiltrações e acidentes, garantindo maior segurança para a população e para os empreendimentos”, completa o engenheiro.
Neste ano, a categoria também celebra uma conquista histórica: a sanção da Lei Federal 15.026/2024, que equiparou geólogos e engenheiros geólogos, garantindo aos profissionais direitos previstos nas legislações da Engenharia, incluindo a aplicação do salário mínimo profissional. A medida encerra uma luta iniciada em 2001 que contou com a atuação do Sistema Confea/Crea, fortalecendo a valorização da profissão.
Para Miguel Borduque, a nova regulamentação representa um avanço importante para a categoria. “Na prática, ela traz maior segurança, fortalecendo e valorizando o geólogo. Isso significa mais igualdade de direitos, reconhecimento técnico e melhores condições para a atuação profissional”, ressalta.
A legislação também ampliou possibilidades de especialização, permitindo que geólogos ingressem em áreas antes restritas, como Engenharia de Segurança do Trabalho. “É uma mudança que aumenta significativamente as oportunidades profissionais e elimina barreiras que limitavam o crescimento da carreira”, acrescenta.
Atualmente, as demandas que chegam aos escritórios e laboratórios de Geologia são amplas e complexas. Hoje, os profissionais enfrentam o desafio técnico de lidar com a escassez hídrica profunda, o mapeamento de aquíferos subterrâneos para abastecimento público, a contaminação de solos e as exigências globais da transição energética e do armazenamento de carbono.
Ao olhar para o futuro, Miguel Borduque acredita que tecnologia e multidisciplinaridade serão competências fundamentais para as novas gerações. “O geólogo do futuro deve olhar para a tecnologia, para a sustentabilidade e para a integração multidisciplinar. Competências como geoprocessamento, modelagem 3D, sensoriamento remoto, análise de dados e inteligência artificial terão cada vez mais importância”, projeta.
Em uma profissão marcada pela observação atenta da Terra e pela busca constante por respostas sobre sua formação e transformação, a Geologia ocupa papel central na construção de soluções para desafios contemporâneos. Afinal, compreender o solo onde a sociedade constrói seu presente é, também, uma forma de garantir um futuro seguro e sustentável.
Produzido pela CDI Comunicação
