A cidade de Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, e a sua produção cafeeira são os destaques do terceiro episódio da campanha “Onde tem Engenharia, o desenvolvimento acontece”, do Crea-SP, que foi ao ar na última sexta-feira (29/05).
O município, de 6.876 habitantes e localizado a pouco mais de 300 quilômetros da capital paulista, destaca-se por sua riqueza ambiental, cultura forte e uma diversidade agrícola expressiva. Na região, o café vem transformando a realidade de dezenas de famílias locais. Inclusive, o produto já se tornou referência não apenas na região, mas em todo o estado de São Paulo. Havia, contudo, quem dissesse que era impossível produzir café de qualidade naquele local, mas a Engenharia Agronômica chegou para acabar com esse mito.
“Com a Engenharia, conseguimos tornar a Barra do Turvo uma cidade inteligente em termos de inovação, utilizando a profissão para a melhoria direta da qualidade de vida da população”, comenta o engenheiro agrônomo e inspetor do Crea-SP, Mário Cavallari.
Para um café ser premiado, o processo vai muito além do plantio e da colheita. O projeto de incentivo à cafeicultura na região nasceu por iniciativa da Prefeitura, que cedeu milhares de mudas para alavancar o cultivo e conectou os produtores aos consumidores. Para sair do papel, a iniciativa uniu políticas públicas, conhecimento técnico e muito trabalho, gerando um aumento de 37% na movimentação turística e econômica do município.
Na parte técnica, o desafio inicial foi superar as crenças locais. “Existia o mito de que a região não conseguiria produzir café de qualidade por estarmos a apenas 300 metros de altitude. O que diziam era que café excelente só seria possível a partir de 900 metros”, conta Cavallari.
Para reverter esse cenário, foi utilizada a Engenharia para buscar soluções específicas, como a introdução da variedade de café Obatã Vermelho, que possui resistência natural à “ferrugem do café” (doença fúngica que já havia acometido dezenas de sítios). Além disso, era preciso se atentar à qualidade final da bebida, com o objetivo de atingir notas acima de 80 pontos para acessar o mercado de cafés classificados como gourmet.
Outro fator determinante para o sucesso da bebida é o rigor na colheita, selecionando exclusivamente os grãos maduros (vermelhos). Segundo Cavallari, durante o inverno, o amadurecimento do grão ocorre de forma muito lenta, pois o Sol costuma aparecer somente a partir do meio-dia. Esse clima específico acabou imitando as condições das regiões de alta altitude, que comumente têm bebida boa. “Essa aposta se provou acertada, consagrando a produção local como campeã em concursos nos anos de 2022, 2023 e 2025, alcançando notas acima de 90 pontos”, diz.
Maria Antônia é uma das beneficiadas do projeto que viu a vida mudar com a chegada da cultura do café. Após o casamento, ela morou em Santa Catarina por mais de duas décadas. Em meados de 2019, decidiu retornar à Barra do Turvo e aderiu ao projeto municipal. Ao lado do marido, ela realizou o plantio e, três anos mais tarde, em 2021, colheu os primeiros frutos. No ano seguinte, teve uma safra ainda mais robusta.
“O Mário avisou que ia nos inscrever em um concurso que seria avaliado em Campinas. Eu nunca tinha trabalhado com café e, logo na primeira vez que fomos inscritos, ganhamos”, celebra a produtora. O lote conquistou a 1ª colocação, garantindo a premiação para a propriedade em 2022.
Sobre a campanha
O “Onde tem Engenharia, o desenvolvimento acontece” é uma iniciativa que tem o objetivo de mostrar como o trabalho técnico e especializado faz a economia do Estado girar. Além disso, revela como a Engenharia, a Agronomia e as Geociências estão presentes no nosso dia a dia.
A série com seis capítulos ilustrará ainda a aplicação da Engenharia, Agronomia e Geociências nas cidades de Holambra, Tatuí e na região do Sudoeste Paulista. Os episódios serão veiculados nas redes sociais do Crea-SP e no YouTube, reforçando a presença do Conselho no ecossistema digital.
Produzido pela CDI Comunicação
