O auditório da Sede Angélica sediou, na quarta-feira (21/10), mais uma reunião do Colégio de Instituições de Ensino Superior de São Paulo (CIES-SP) do Crea-SP. A pauta central envolveu a aproximação entre a academia, o Conselho e o setor produtivo, com enfoque especial nas transformações digitais e nos desafios educacionais na reta final do ano letivo.

O coordenador do grupo, engenheiro civil Roberto Racanicchi, abriu o evento destacando o objetivo do fórum frente às demandas atuais. “Precisamos estar em evolução dentro do nosso Sistema, das nossas profissões, para que sejamos capazes de acompanhar as mudanças, mas com as medidas cabíveis”.
Na sequência, o coordenador-adjunto, engenheiro geólogo Fernando Augusto Saraiva, compartilhou os destaques da 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA). Ele mencionou o lançamento da Cartilha para Diagnóstico e Priorização de Infraestrutura Hídrica, material inédito formulado pelo Comitê de Infraestrutura Hídrica e Drenagem Urbana do Crea-SP para auxiliar os municípios. “Essa é uma publicação que vai dar uma base para as prefeituras montarem suas próprias iniciativas de drenagem. O documento não se limita a só elencar o problema; ele diz qual área deve ser estudada e quem são os profissionais que podem trabalhar neste plano”, explicou.
Convidado a compor a mesa de abertura, o coordenador do Colégio de Entidades Regionais de São Paulo (CDER-SP), engenheiro de operação Luís Augusto Moretti, enfatizou a importância da sinergia entre as instâncias do Regional paulista. “O CIES e o CDER devem caminhar juntos, porque os conselheiros do Colégio de Entidades Regionais que estão hoje nas indústrias vieram das escolas. Temos que estar atentos para saber o nível da qualidade na formação”, pontuou.
A conselheira federal suplente de Instituições de Ensino Superior de Agronomia, engenheira agrônoma Andrea Sanches, propôs uma reflexão ponderada sobre o uso de novas ferramentas no ambiente acadêmico, destacando o potencial positivo da tecnologia quando aliada ao conhecimento prévio do estudante. “Se uma pessoa intelectualmente desenvolvida usa essa ferramenta de inteligência artificial, ela produz trabalhos maravilhosos e contribui muito”, ponderou.
Para ela, o cenário de transformações exige união e adaptação do corpo docente. “O nosso papel aqui é dar suporte, trocar ideias e tentar buscar um caminho”, refletiu. Além disso, a representante destacou a força dos professores para fortalecer o vínculo dos recém-formados com o Conselho logo na colação de grau. “Cada um de nós é capaz de conscientizar e avançar com muito mais mentes do que qualquer outro conselheiro”, relatou.
Corroborando a necessidade de fortalecer a base acadêmica, o engenheiro de alimentos Marcelo Alexandre Prado, diretor de Educação da autarquia, reforçou o papel vital das universidades. “As faculdades e os institutos são o berço da matéria-prima para nós, para a profissão, para tudo o que existe aqui dentro da Engenharia”, afirmou.
O potencial da IA na educação
A programação técnica do encontro foi marcada pela palestra “IA aplicada às instituições de ensino”, conduzida pelo conselheiro da Câmara Especializada de Engenharia Mecânica e Metalúrgica (CEEMM), engenheiro mecânico Fernando Gasi. A apresentação foi viabilizada pelo Comitê CreIA, do qual o especialista atua como coordenador adjunto. Durante sua fala, ele enalteceu o apoio recebido da engenheira civil Lígia Mackey, presidente do Conselho, para estruturar o grupo focado em inovação. O docente também compartilhou os avanços internos obtidos pela equipe na otimização de processos burocráticos. “O nosso CreIA tem tido sucesso e ajudado os conselheiros a fazerem relatos de uma forma mais célere”, comemorou.
Aprofundando o tema central, o palestrante detalhou o uso de ferramentas generativas e agentes virtuais nas rotinas universitárias, abordando desde a análise de dados até a estruturação de materiais didáticos por meio de plugins e comandos automatizados. Gasi apresentou o método IDEAL (Intenção, Detalhe, Exemplo, Ação e Limite) para organizar instruções eficientes. “Se eu tenho um método validado, eu posso aplicar isso para qualquer solicitação”, reforçou.
Apesar de demonstrar a agilidade proporcionada pelas plataformas, o especialista fez questão de ressaltar a necessidade indispensável da supervisão e do senso crítico humano. “Não significa que a IA vai fazer tudo. A palavra final é de quem está analisando”, alertou.
O conselheiro da Câmara Especializada de Engenharia Mecânica e Metalúrgica (CEEMM) e representante da Universidade São Francisco, engenheiro mecânico Alexandre Ameri, avaliou positivamente o saldo dos debates e a aplicação prática do conhecimento compartilhado. “O tema que foi discutido no CIES é muito relevante porque garante que nós, como organização, estejamos alinhados com o que o mercado precisa”, destacou. Sobre a adoção das novidades nas salas de aula, o professor resumiu o panorama de sua instituição. “O corpo docente já visa buscar como conseguir integrar os nossos alunos ao uso da IA, uma vez que essa demanda é clara na profissão”, pontuou.
Durante o evento, os presentes conferiram a apresentação da iniciativa “Registro Profissional sem custo” e “Carteira na colação de grau”, que oferece às faculdades vantagens como diferencial competitivo, reputação fortalecida e estudantes satisfeitos. Para facilitar a adesão das faculdades pelo sistema CreaOne, foi criado um guia prático voltado aos coordenadores de curso. A conselheira Andrea Sanches explicou a motivação do material. As informações estão disponíveis no Portal do Crea-SP.
Capacitação contínua em IA
Para aprofundar o conhecimento no tema debatido durante o encontro, o Conselho disponibiliza um minicurso gratuito “Inteligência Artificial Aplicada à Engenharia: ferramentas e práticas para o dia a dia” por meio do Crea-SP Capacita. A iniciativa prepara profissionais para a aplicação prática dessas tecnologias em suas rotinas de trabalho, projetos e planos de ensino, acompanhando as demandas do mercado.
Produzido pela CDI Comunicação

