O Conselho, por meio do Comitê Gestor do Programa Mulher e em parceria com a Associação de Engenheiros e Arquitetos de São José dos Campos (AEA SJC), realizou na terça-feira (20/10) o encontro “Quanto mais inteligência artificial, mais liderança humana”. A programação, na sede da entidade, integrou as ações do Outubro Rosa e reuniu discussões sobre os desafios em um cenário de avanço tecnológico e ampliação da IA.
Na abertura, o presidente da AEA SJC, engenheiro civil Carlos Vilhena, destacou o histórico de iniciativas da associação voltadas à equidade de gênero, como a criação do Núcleo AEA Mulher. “É um grande orgulho para nós receber esse evento aqui na nossa entidade”, declarou.
A coordenadora do Comitê Gestor do Programa Mulher, engenheira civil Priscila Bezerra, ressaltou a participação feminina no Sistema Confea/Crea e evidenciou a mensagem que orienta as ações do grupo. “Mulher que estuda não pede licença, ela ocupa espaço”. Segundo ela, a iniciativa busca ampliar a capacitação e dar visibilidade às profissionais do setor para que conquistem as oportunidades do mercado.
Empresária e fundadora da Casa Rosa, a mestre em Física Maria Sandim apresentou o trabalho da instituição, criada em 2012, que empresta perucas a mulheres em tratamento oncológico, oferece higienização das peças e atende pessoas de diferentes cidades, inclusive com envio pelo correio. Segundo Maria, um dos objetivos é construir uma sede própria para acolher aquelas que chegam a São José dos Campos para cuidados médicos.
A equipe procura por perucas semelhantes ao cabelo que a paciente tinha antes dos procedimentos, para preservar sua autoestima e evitar que ela se sinta exposta. Ao explicar o impacto da atuação, a empresária resumiu: “No momento em que você coloca a peruca, é uma alegria que brota. Ela chega chorando e sai sorrindo”.
Na sequência, Karolina Zanusso, radialista e voluntária da Casa Rosa, relatou que recebeu o diagnóstico de câncer de mama aos 27 anos, em 2022. Ela falou sobre a importância de observar mudanças no próprio corpo e buscar orientação médica. “Precisamos nos comunicar para que as pessoas entendam o que não é normal em nosso corpo”, relembrou.
Ao compartilhar a experiência do tratamento, Karolina destacou que o apoio emocional nem sempre depende de encontrar as palavras certas. “Muitas vezes, o que uma paciente oncológica precisa é de presença”, disse.
Protagonismo feminino
A palestra central foi conduzida por Mariane Fornari, empreendedora e especialista em liderança das mulheres. Ela relacionou a expansão da inteligência artificial à necessidade de desenvolver competências como pensamento crítico, resiliência, empatia e escuta ativa. “Quanto mais IA e tecnologia, mais precisamos das nossas habilidades de inteligência emocional”, afirmou. Para ela, o autoconhecimento ajuda a reconhecer padrões de comportamento e a agir com mais consciência nas relações pessoais e profissionais.
A palestrante também trouxe a importância de alinhar discurso e prática no mundo corporativo. “Podemos ter palestras incríveis sobre protagonismo e produtividade, mas se não temos a mesma atuação sobre o que falamos para a nossa equipe, não adianta”, pontuou. Durante a apresentação, Mariane propôs uma atividade em duplas: os participantes compartilharam algo positivo vivido nos últimos dias e ouviram os colegas sem interrupções. A dinâmica buscou exercitar a presença e a escuta em uma rotina cada vez mais acelerada e mediada por ferramentas digitais.
A engenheira civil Adriana Cintra, coordenadora adjunta do Comitê Gestor do Programa Mulher, abordou a relevância de conversas como as promovidas pelo encontro. “Eventos como o de hoje trazem à tona um pouco de cada parte da nossa vida. Nós mulheres podemos estar na área tecnológica exercendo nosso protagonismo e trazendo também o lado da solidariedade, do pertencimento e do acolhimento”, resumiu.
Já a engenheira civil Juliana Faria, também do comitê, chamou atenção para o lado da conscientização. “Nos fez pensar que precisamos desacelerar para poder tomar decisões. Somente assim conseguimos liderar com nosso maior potencial”, refletiu.
Entre o público, a engenheira industrial Helena Gomes Mineiro Leite ressaltou como é essencial ter pensamento crítico e estabelecer relações interpessoais. “Precisamos desenvolver o raciocínio analítico nas nossas conexões e valorizar o contato olho no olho, principalmente em um mundo em que o home office está tão presente”, concluiu.
Produzido pela CDI Comunicação





