Engenharia do Túnel Santos-Guarujá é destaque na SOEA

Diretor técnico da TSG Concessionária apresenta a metodologia construtiva inédita e os desafios da obra no litoral paulista
20 de outubro de 2026, às 13h32 –
Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

Durante a programação da 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), em Aracaju (SE), o painel “Túnel imerso Santos-Guarujá: um novo paradigma da Engenharia brasileira” trouxe os detalhes técnicos e operacionais da ligação seca entre os dois municípios. A apresentação destacou a adoção de soluções de alta complexidade e a aplicação de uma metodologia construtiva inédita no Brasil para viabilizar o maior projeto de infraestrutura em andamento no país.

O palestrante convidado foi o diretor técnico da TSG Concessionária, engenheiro geólogo Ricardo Andrade, mestre em Engenharia Geológica pela Universidade de Coimbra, que acumula mais de 35 anos de experiência em grandes soluções de transporte e mobilidade urbana na América Latina e Europa, incluindo a atuação como coordenador do projeto do próprio túnel entre 2011 e 2013, além de liderar o VLT Carioca e a Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo. A mediação foi realizada pelo conselheiro federal do Confea, engenheiro de produção Daniel Robles.

Para o setor profissional e governamental, o empreendimento consolida-se como um divisor de águas na Engenharia de Infraestrutura, servindo de referência técnica e de gestão para futuras obras de grande porte em regiões litorâneas e de alta densidade urbana. Nesse sentido, Andrade destacou a importância da parceria e participação de órgãos públicos e comunidade local. “O relacionamento com as prefeituras de Santos e Guarujá é extraordinário, todos estão empenhados e comprometidos com as etapas de execução. Além disso, os representantes e moradores também colaboram, pois entendem que esta construção é muito importante para a história do Brasil”, disse.

Presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS), o engenheiro civil André de Fazio Neto também esteve presente no evento e ressaltou o potencial da iniciativa para impulsionar o desenvolvimento regional. “Além de promover avanços em mobilidade e sustentabilidade para toda a Baixada Santista, o túnel representa uma oportunidade de transferência de tecnologia e conhecimento. O Brasil passará a dominar uma solução de Engenharia que ainda não possui, com benefícios que contribuem para o progresso nacional”, afirmou.

A Engenharia de imersão e fundação milimétrica

Durante sua apresentação, Andrade detalhou a metodologia do túnel. O processo de imersão é dividido em quatro etapas principais: reboque, posicionamento, lastro e descida e o assentamento no leito de brita. Para isso, a dragagem no Canal de Santos movimentará um volume total de 2,5 milhões de m³ de sedimentos até alcançar a cota de fundo de escavação de 35 metros de profundidade.

Na fase de fundação, será empregado um sistema responsável por realizar a deposição e o nivelamento do leito de brita em uma única operação com precisão milimétrica (variação de ±25 mm vertical e ±10 mm de verificação acústica).

O controle da imersão será realizado por lastro de água distribuído em seis tanques, mantendo de 1% a 3% de sobrepeso em relação ao empuxo. A velocidade de descida será monitorada gradualmente, passando de 25 cm/min na fase inicial para 2 a 5 cm/min nos últimos 50 centímetros.

O Canal de Santos contará com monitoramento contínuo suportado por modelagem computacional de dinâmica de fluidos (CFD) e equipamentos de alta tecnologia para guiar o plano de navegação. Serão controlados parâmetros de hidrodinâmica (ondas, marés e correntes), transporte de sedimentos (turbidez), qualidade ambiental (oxigênio dissolvido, pH e temperatura) e condições de densidade e salinidade da água.

Além da estrutura física em concreto e aço, a proposta integra uma infraestrutura digital dotada de fibra óptica, rede backbone 5G, sensores de tensão, deformação e temperatura.

Cronograma da obra do Túnel Santos-Guarujá

2026: elaboração do projeto funcional e projetos executivos;

2027: instalação dos canteiros de obras;

2028: construção da doca seca e execução da dragagem;

2029: fabricação e instalação dos módulos imersos;

2030: implantação da rede viária e edifícios de acesso;

2031: integração dos sistemas e comissionamento.

A programação da 81ª SOEA reuniu painéis e fóruns que envolvem diretamente a área tecnológica, com transmissão disponível no canal do YouTube do Confea.

Produzido pela CDI Comunicação

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