A gestão ecológica e a transformação energética estiveram no centro das discussões do Workshop “Engenharia Sustentável: Tecnologias e Soluções Ambientais”, realizado na noite desta quarta-feira (16/09), na Sede Angélica, capital do Estado. O encontro, idealizado pela Comissão Permanente de Meio Ambiente (CMA), marcou mais uma edição do Crea-SP Capacita.

O evento contou com a abertura do engenheiro aeronáutico Maurício Pazini Brandão, conselheiro da autarquia, que abordou as possibilidades de aplicação de inovações disruptivas no tratamento de detritos com destaque para alternativas ao uso de aterros. Para Brandão, a avaliação dessas ferramentas deve considerar não apenas o custo imediato, mas também os impactos associados à ocupação do solo, ao transporte e à destinação dos materiais.
“Precisamos colocar todas as contas no papel, incluindo o preço da terra que está sendo ocupada, o custo da mobilidade e os impactos ambientais. Quando olhamos para todos esses fatores, é necessário começar a debater outras formas de tratar os resíduos e mudar a cultura de simplesmente cobrir com terra”, alertou Pazini.

O engenheiro químico André Pires de Oliveira Junior, com uma bagagem de quase 30 anos de experiência como consultor no seu campo de atuação e em meio ambiente, abordou o tratamento de efluentes líquidos e os entraves para incorporar metodologias inovadoras aos trâmites de licenciamento.
Segundo Junior, além de desenvolver respostas, a área técnica deve avançar na demonstração de resultados que permitam sua avaliação pelos órgãos responsáveis. “As ferramentas disruptivas oferecem saídas importantes, mas existe o obstáculo de inseri-las nos processos de licenciamento. Temos que seguir na produção de resultados que demonstrem sua aplicação e permitam que essas alternativas sejam analisadas e incorporadas aos empreendimentos”, pontuou.
Já o engenheiro químico e conselheiro do Crea-SP, Jorge Manuel de Souza Rosa, discutiu os desafios da matriz energética mundial e as oportunidades para o Brasil diante da transição para fontes renováveis. Ao abordar as projeções de aumento da demanda, Rosa destacou a necessidade de expandir o uso de matrizes de menor impacto ecológico. “O Brasil tem oportunidades que poucos países possuem pela extensão de sua costa, pelo potencial eólico e solar e pela área disponível para produção de biocombustíveis. Temos condições de avançar na transformação sustentável, mas isso precisa ser acompanhado por uma mudança na forma como o mundo pensa e utiliza este recurso”, ressaltou.
Após as apresentações, uma roda de debates mediada pela diretora de Valorização Profissional e conselheira do Crea-SP, engenheira ambiental e sanitarista Marcellie Dessimoni Giratola, ampliou a discussão entre os palestrantes e o público. A programação também contou com a participação de jovens do Estágio Visita, que acompanharam as atividades e puderam conhecer novas possibilidades de atuação relacionadas aos temas apresentados.
Entre os estudantes que acompanharam a atividade estava Victor Lucchese, aluno do quarto semestre de Engenharia Mecânica no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), campus Piracicaba. Para ele, o encontro ajudou a conectar diferentes temas e apresentar caminhos que já estão sendo desenvolvidos. “Foi uma experiência muito legal. Os professores apresentaram ideias complementares, que se conectam de formas distintas, falando sobre gestão de energia, de resíduos e uma perspectiva de futuro que já está se tornando realidade. Eles também trouxeram uma abordagem de inovação e uma vivência que expandiu minha forma de enxergar esses temas”, declarou Lucchese.
Para o engenheiro civil Leon Tondowski, que atua nas áreas de Engenharia Hidráulica e recursos hídricos, encontros como o workshop contribuem para aproximar profissionais de diversos setores e estimular as conversas sobre metas sustentáveis. “Foi importante para reunir várias perspectivas sobre temas que fazem parte do cotidiano da carreira. A discussão mostra como a questão ambiental exige conhecimento técnico, diálogo entre especialidades e atenção aos novos recursos do setor”, destacou.
A engenheira civil Lígia Gomide, que trabalha na área de saneamento básico e recursos hídricos, também ressaltou a importância de levar esse tipo de experiência aos espaços de formação. “É fundamental aproximar os estudantes desses debates e mostrar as possibilidades de atuação diante das complexidades do saneamento e da sustentabilidade”, concluiu.
Produzido pela CDI Comunicação



