O painel “Plano Drenagem Lisboa” integrou a programação de palestras do palco “Desenvolvimento e Planejamento Urbano” do Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas e Colégio de Inspetores 2026, promovido pelo Crea-SP, em São Paulo. O convidado foi o engenheiro eletrotécnico José Fernando da Silva Ferreira, membro sênior da Ordem dos Engenheiros e coordenador do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL).
Durante o século passado, a cidade portuguesa apresentou graves problemas de alagamentos, sendo o mais emblemático ocorrido no ano de 1967, quando centenas de pessoas perderam suas vidas. Diante desse cenário, em 2006, iniciou-se o estudo para o PGDL, concluído em 2008.
“O primeiro plano teve quatro vertentes principais: controle na origem, reservatórios, reforço e reabilitação da rede de saneamento e melhoria do conhecimento e funcionamento da mesma. A proposta dos depósitos era de ter uma capacidade para caudais com tempo de recorrência de uma década”, disse.
O engenheiro explicou que após alguns anos, em razão da urbanização, das mudanças climáticas e de eventos adversos como outra grave inundação em 2014, o documento já não atendia mais às demandas do município, o que gerou o PGDL 2016-2030. Segundo Ferreira, três dos quatro eixos foram mantidos na nova proposta, substituindo os reservatórios por túneis com capacidade centenária de intervalo de retorno.
Com a intervenção, prevista para ser concluída ainda nesta década, a água da chuva proveniente das áreas mais altas será captada por poços profundos, conduzida pelas galerias subterrâneas de grande porte e direcionada ao rio em um trecho onde a descarga não causa impactos à cidade, reduzindo as enchentes em até 80%.
O palestrante concluiu mencionando que a contratação foi por meio de um “Concurso Público Internacional” e destacou que foram realizadas mais de 3.900 vistorias e 520 mil m³ de escavação, além da utilização da ferramenta BIM.
A experiência de Lisboa também serviu de referência para a elaboração da Cartilha para Diagnóstico e Priorização de Infraestrutura Hídrica, lançada pelo Crea-SP durante a 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), em outubro. Desenvolvido pelo Comitê de Infraestrutura Hídrica e Drenagem Urbana do Conselho, o material orienta gestores públicos no diagnóstico de áreas críticas e no planejamento de intervenções.
Como parte desse intercâmbio, o Crea-SP também realizou uma visita técnica às obras do PGDL, com o objetivo de conhecer de perto as soluções adotadas e aproximar experiências internacionais das demandas dos municípios brasileiros.
A cooperação entre as duas nações também envolve o Termo de Reciprocidade entre o Confea e a Ordem dos Engenheiros de Portugal (OEP), que permite o registro de engenheiros brasileiros e portugueses para o exercício profissional em ambos os países, sem necessidade de revalidação do diploma.
Produzido pela CDI Comunicação

