Segurança hídrica impulsiona debate sobre resiliência urbana

Especialistas destacam integração entre infraestrutura, Soluções Baseadas na Natureza e governança para garantir uso sustentável da água
21 de setembro de 2026, às 11h53 –
Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

O tema “Segurança hídrica: resiliência, infraestrutura e gestão para os próximos anos” esteve no centro de um dos painéis do palco “Governança, Saneamento e Meio Ambiente” do Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas e Colégio de Inspetores 2026, realizado pelo Crea-SP. Especialistas debateram os principais desafios para garantir a disponibilidade de água diante das transformações urbanas e climáticas. 

Pesquisadora e consultora na área de manejo sustentável de bacias hidrográficas e Soluções Baseadas na Natureza (SbN), a engenheira ambiental Juliana Alencar abordou os impactos da expansão sobre as redes hídricas. Em sua avaliação, a urbanização tem provocado a perda de funções essenciais para o ciclo aquático, comprometendo armazenamento, infiltração e filtragem. “Ao passarmos a viver em cidades cada vez mais adensadas, isso gerou uma desconexão do homem com o recurso, o que se reflete no aumento das demandas e da degradação”, destacou.  

A engenheira explicou que, historicamente, os municípios responderam a esses desafios com base na chamada Engenharia “dura” ou infraestrutura cinza. O modelo surge como uma resposta à perda dessas funções das bacias hidrográficas, substituindo processos como infiltração e armazenamento por estruturas artificiais. “São redes que priorizam o controle e o afastamento das águas do ambiente urbano, como canalizações, galerias e reservatórios de concreto”, frisou.  

A pesquisadora enfatizou ainda que, ao transformar o uso do solo e ocupar área de captação, as cidades perdem a capacidade natural de regular o ciclo do elemento. Como consequência, reduzem a infiltração, comprometem o abastecimento dos aquíferos e intensificam questões como enchentes. 

A alternativa a esse cenário, segundo Juliana, é a adoção de estratégias que conciliam diferentes abordagens. “Não é uma questão de escolher entre alicerce verde ou cinza. Precisamos chegar a um contexto de integração, em que Soluções Baseadas na Natureza contribuam para a resiliência dos municípios e para a qualidade de vida da população”, afirmou, ao evidenciar o papel das chamadas infraestruturas sustentáveis no enfrentamento de eventos climáticos extremos. 

Na sequência, a engenheira civil Melissa Graciosa, professora da Universidade Federal do ABC (UFABC) e doutora em Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Universidade de São Paulo (USP), falou sobre a função da governança na segurança hídrica. Ela ressaltou o recurso como essencial para todas as atividades humanas e econômicas, o que exige um gerenciamento estruturado e participativo. 

“Não existe nenhuma atividade humana ou econômica que seja possível sem gestão preventiva. A água é a matéria-prima de todo e qualquer setor produtivo, um insumo invisível que sustenta o desenvolvimento urbano, industrial e agropecuário”, comentou. 

Melissa reforçou que, diante do aproveitamento múltiplo e da limitação dos recursos disponíveis, o controle deve ser orientado por critérios de equidade, eficiência e sustentabilidade. Para isso, apontou a importância de fortalecer instrumentos de planejamento, monitoramento e regulação, além de ampliar a utilização de dados e tecnologias no acompanhamento da rede hidrográfica. 

Ao trazer as estratégias para fortalecer a segurança hídrica, a engenheira endossou a importância de uma administração integrada, apoiada em dados e na participação social. “É necessário fazer a gestão para garantir que não falte água para nenhum uso importante para o progresso”, concluiu, ao defender modelos mais colaborativos e adaptativos. 

Produzido pela CDI Comunicação  

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