A relação entre desenvolvimento urbano, preservação ambiental e planejamento territorial esteve no centro das discussões do primeiro módulo itinerante da Trilha de Gestão Pública do Crea-SP Capacita. Realizado em Bragança Paulista, o encontro reuniu profissionais da área tecnológica, representantes do poder público e especialistas para debater os desafios de licenciamento e do parcelamento do solo, temas estratégicos para municípios que buscam crescer de forma organizada e sustentável.
A abertura da palestra foi conduzida pelo gerente regional do Crea-SP, engenheiro ambiental e sanitarista Guilherme Fiorellini, que destacou a relevância do tema para a região bragantina e a importância de aproximar a capacitação das demandas locais. “Quando falamos em parcelamento do solo em Bragança Paulista e em licenciamento ambiental, tratamos de temas diretamente ligados à realidade dos profissionais e das prefeituras da região. É um momento para refletir e aprofundar conhecimentos sobre assuntos fundamentais para o desenvolvimento dos municípios”, afirmou.
Na sequência, o advogado e urbanista Wilson Levy, idealizador da trilha que também mediou o debate, ressaltou a proposta prática da formação e a decisão de levar os debates para diferentes regiões do estado. “Os temas selecionados dizem respeito ao cotidiano de trabalho dos profissionais registrados no Crea-SP. A oportunidade de ouvir especialistas que atuam diretamente na resolução de problemas concretos qualifica o debate e fortalece a atuação técnica”, disse.
O vice-presidente no exercício da Presidência do Conselho, engenheiro civil Fernando Pedro Rosa, destacou o papel da qualificação contínua diante dos desafios enfrentados pelas administrações municipais. “As prefeituras lidam diariamente com questões que exigem planejamento, responsabilidade técnica e execução. Capacitar também é uma forma de valorizar a profissão, fortalecer a atuação especializada e contribuir para cidades mais eficientes, preparadas e humanas”, concluiu.
A programação técnica teve início com a palestra da arquiteta e urbanista, mestre em Engenharia Urbana pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e especialista em Desenvolvimento Urbano, Luciane Mota Virgílio, que apresentou os principais aspectos relacionados ao parcelamento do solo e à integração entre planejamento urbano e licenciamento ambiental. Ela destacou a importância do diagnóstico prévio das áreas em desenvolvimento para a elaboração de projetos mais compatíveis com a realidade do território.
“Com essas informações, a gente consegue fazer um plano urbanístico bem pé no chão”, explicou ao abordar a análise da vegetação, dos corredores ecológicos, dos recursos hídricos e das características do terreno. A especialista também chamou atenção para a necessidade de soluções adaptadas à realidade local. “Cada município possui particularidades ambientais, urbanísticas e sociais. Por isso, soluções padronizadas nem sempre funcionam. É preciso olhar para o território e compreender suas especificidades”, afirmou a profissional com três décadas de atuação.
Complementando a programação, o engenheiro agrônomo Igor Morais Liu, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), apresentou os procedimentos e critérios adotados nos processos de licenciamento ambiental. Durante a exposição, Liu destacou a necessidade de compreender as particularidades de cada território para garantir segurança jurídica e efetividade às intervenções. “A fragmentação dessa legislação faz com que cada local tenha uma realidade e um critério diferente”, afirmou ao comentar as exigências relacionadas às compensações ambientais e às áreas protegidas.
O especialista também reforçou a necessidade de equilibrar crescimento urbano e preservação de recursos naturais. “A gente verifica sempre o licenciamento integrado ao desenvolvimento sustentável”, destacou.
O encontro contou ainda com ampla participação do público presencial e on-line, que aproveitou o espaço para esclarecer dúvidas e compartilhar experiências. Para a engenheira e gestora ambiental Carla Jean Francisco Falasco, que atua com consultoria ambiental e mineração e também leciona em cursos de Engenharia Ambiental, a formação se destacou pela abordagem multidisciplinar dos temas. “Eu adorei. O assunto foi muito bom e os profissionais são excelentes. Parcelamento do solo e licenciamento ambiental são temas correlatos que dependem de diferentes especialidades atuando juntas, e isso ficou muito claro durante o encontro”, avaliou.
Já o tecnólogo em Gestão Ambiental e Segurança do Trabalho e gestor da UGI Guarulhos do Crea-SP, Rubens Roque Moraes, destacou a aplicabilidade dos conteúdos apresentados. “É um assunto multidisciplinar e sempre traz novidades. A qualidade das palestras vai contribuir bastante para o nosso trabalho no dia a dia, e o conhecimento adquirido aqui pode ser compartilhado com outros profissionais da região”, afirmou.
O módulo marcou o início da nova fase itinerante da Trilha de Gestão Pública, iniciativa do Crea-SP Capacita que busca aproximar a formação continuada da realidade dos municípios paulistas. Ao longo do ano, novos encontros vão percorrer diferentes regiões do Estado, promovendo debates técnicos alinhados aos desafios locais e fortalecendo a atuação dos profissionais na construção de políticas públicas e soluções para o desenvolvimento sustentável das cidades.
Produzido pela CDI Comunicação


