Cerca de dois bilhões de pessoas experimentaram em 2018 a chamada Insegurança Alimentar e não tiveram acesso regular a alimentos nutritivos em quantidades suficientes. Esse contingente representa 26,4% da população mundial, segundo o Estado de Segurança e Nutrição Alimentar no Mundo, relatório anual divulgado pela Organização para Agricultura e Alimentação (FAO), organismo vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU). Ainda segundo o documento, com base em seu indicador de Prevalência de Subnutrição, há no mundo mais de 820 milhões de pessoas com fome, cifra em crescimento desde 2015 e que se revela um obstáculo à meta estabelecida pela FAO de zerar a fome até 2030.
Para contribuir com a discussão sob o ponto de vista da fiscalização do exercício profissional da área tecnológica no processo de produção de alimentos, o Crea-SP instituiu o Grupo de Trabalho Segurança Alimentar, composto pelas engenheiras de alimentos Claudia Cristina Paschoaleti (coordenadora), Flávia Ferreira Galhardo (coordenadora adjunta), Isabella Shimoyama de Toledo, Melissa Fiorussi Davoli Batistioli, Renata Faraco Fantaccini e Sulamita Bilezikdjian.
A Segurança Alimentar é um conjunto de práticas que garante minimizar os riscos de contaminação física, microbiológica e nos processos de manipulação, em que é preciso avaliar as principais formas de contaminação e a possibilidade de transmissão. “Os contaminantes microbiológicos são capazes de causar intoxicações, inclusive nos colaboradores da empresa, o que reforça a necessidade de implementação de estratégias que reduzam ou eliminem essa situação”, explica a coordenadora do GT.
“Na era da informação, em que os consumidores estão mais bem informados sobre a qualidade dos produtos e atentos aos seus direitos, o conceito de Segurança Alimentar ganha maior relevância, ao ponto de denúncias sobre os produtos e compartilhamento de experiências de consumo ganharem cada vez mais espaço no ambiente digital”, afirma a Eng. Cláudia, complementando que, no Brasil, ainda que os índices de Doenças Transmitidas por Alimentos, as DTAs, continuem elevados, “a sociedade está mais consciente dos perigos que estão sujeitas ao consumir um alimento contaminado”.
Em seu Plano de Trabalho, as integrantes do GT priorizaram a indústria de alimentos e seus profissionais, visando a verificar se estão devidamente registrados no Conselho e se possuem as atribuições para desempenhar atividades no setor, como avaliar ciclos de vida dos produtos e controlar a qualidade química, sensorial e microbiológica do alimento.
“Dada a importância do acompanhamento de um Engenheiro de Alimentos para garantia da segurança na produção de alimentos, o nosso grupo – expõe a coordenadora – elaborou documentos que orientam estudantes e docentes da área sobre a importância do Crea-SP, no que se refere a registro profissional e outras obrigatoriedades, e fixou algumas estratégias de fiscalização, seguindo parâmetros de boas práticas de fabricação e segurança alimentar para os Agentes Fiscais do Conselho”.
O setor de alimentos é um dos mais resistentes da economia brasileira, consistindo em uma indústria de transformação com importante participação no Produto Interno Bruto e na geração de empregos, o que exige rigoroso controle de segurança e qualidade na produção ou fabricação de seus produtos. “Os cuidados abrangem todo o processo, incluindo os equipamentos e o tratamento de resíduos. Daí a importância do Crea-SP em fiscalizar tanto o registro da empresa quanto o acompanhamento das etapas do processo industrial por um profissional responsável técnico”, conclui.
Produzido pelo Departamento de Comunicação do Crea-SP – DCOM

