Às vésperas do Dia do Trabalho, celebrado em 1º de maio, o cenário para os profissionais das Engenharias, Agronomia e Geociências em São Paulo é marcado por um otimismo fundamentado em dados concretos sobre esse mercado de trabalho. De acordo com os resultados do minicenso do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), realizado em parceria com a Quaest, o Estado se consolidou como o principal motor do setor tecnológico nacional, apresentando um índice de 91% dos profissionais registrados no Crea-SP em efetiva atividade.
Deste total, 74% dos profissionais atuam especificamente em suas áreas de formação, tendo a construção civil como o maior polo de absorção, responsável por 38% desse contingente. A percepção de valorização é compartilhada pelos próprios profissionais: cerca de 68% dos engenheiros paulistas possuem renda familiar superior a cinco salários mínimos e 69% declaram estar satisfeitos com as condições atuais do mercado.
Além do retorno financeiro, há um forte componente de propósito social, visto que 94% dos entrevistados acreditam que seu trabalho contribui para o desenvolvimento de uma sociedade melhor, o que justifica o fato de 81% deles indicarem a profissão para as novas gerações.
O mercado paulista também se diferencia pela sua maturidade e capacidade de adaptação às tendências mundiais de trabalho. Com mais da metade dos profissionais acumulando pelo menos uma década de experiência, outro diferencial competitivo do estado é a sua inserção global, detendo a maior taxa de experiência internacional do país, com 18%.
A percepção desse aquecimento também é sentida na rotina dos profissionais. Em entrevista à Revista CREA São Paulo, o engenheiro de produção Thiago Foschini destaca a crescente valorização da atuação técnica. “As empresas passaram a entender melhor o valor de ter um profissional registrado. Para as indústrias, a presença do responsável técnico garante mais segurança, confiança e qualidade nas decisões de investimento”, afirma.
Contudo, o setor enfrenta um desafio estrutural que coloca em risco a sustentabilidade desse crescimento no médio e longo prazo: o crescente déficit de profissionais de Engenharia. Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam uma carência atual de 75 mil profissionais no Brasil. Diante desse “apagão” de mão de obra, o engenheiro Fernando Pedro Rosa, vice-presidente no exercício da Presidência do Crea-SP, alerta que o grande desafio atual é manter o bom momento e assegurar o futuro do desenvolvimento nacional por meio do estímulo e do fortalecimento da formação de novos talentos.
“Diante desse cenário, São Paulo exemplifica um mercado em expansão, marcado por alta empregabilidade, valorização profissional e forte impacto no desenvolvimento econômico e social. Ao mesmo tempo, os dados reforçam a necessidade de olhar para o futuro, uma vez que garantir a continuidade desse crescimento passa, necessariamente, pelo fortalecimento da formação de novos profissionais e pelo estímulo às próximas gerações. O desafio, portanto, não é apenas sustentar o bom momento atual, mas assegurar que ele se mantenha nos próximos anos”, destaca Fernando Rosa.
Entre as iniciativas para incentivar a formação de novos talentos e a qualificação dos profissionais, o Crea-SP dispõe de programas de capacitação e imersão de estudantes e recém-formados na rotina do Conselho, a exemplo do Estágio Visita, que já recebeu mais de 900 participantes. No âmbito nacional, o Sistema Confea/Crea também aprovou, a partir de 2026, a isenção de anuidade para recém-formados que se registrarem em até 180 dias após a colação de grau. Outro avanço é que o titular único de empresa individual, sociedade limitada unipessoal ou estrutura equivalente, ficará isento da anuidade de pessoa física – desde que a anuidade da empresa esteja regular. A medida elimina a cobrança em duplicidade, reduz custos e moderniza a relação do Sistema Confea/Crea com os empreendedores.
Amostra do minicenso do Confea
Para entender a realidade dos cerca de 1,2 milhão de profissionais registrados em todo o País e traçar o perfil dos engenheiros, agrônomos e geocientistas brasileiros, o Confea disponibilizou os resultados da maior pesquisa quantitativa da história do Sistema. Foram entrevistados 48 mil profissionais registrados, das áreas de Engenharia, Agronomia e Geociências. A coleta dos dados foi realizada em todos os Estados brasileiros, entre 23 de setembro de 2024 e 2 de fevereiro de 2025.
O minicenso também apresentou recortes por Estados, e em São Paulo, analisou o perfil demográfico dos 380 mil profissionais registrados com uma coleta de dados a partir de 16.396 entrevistas, por meio da aplicação de questionários estruturados.
O nível de confiabilidade é de 95% para a amostra geral.
