Em 28 de outubro, é celebrado o Dia do Engenheiro Aeronáutico, data que marca o nascimento do Marechal do Ar Casimiro Montenegro Filho, patrono da profissão e idealizador do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Sua contribuição foi fundamental para a estruturação do ensino e do estudo da área no Brasil.
Para entender na prática o que esses profissionais projetam, basta um experimento simples na cozinha: uma colher encostada em um jato d’água da torneira ajuda a ilustrar o Efeito Coandă, um dos princípios fundamentais da física por trás da Engenharia Aeronáutica. Ao acompanhar a superfície curva do objeto, o fluxo de água demonstra exatamente como o ar se comporta ao passar pelo perfil de uma asa, ajudando a gerar sustentação. É um exemplo cotidiano de como conceitos científicos são aplicados em projetos complexos.
A rotina desses especialistas também está presente em etapas que vão da concepção à certificação e à manutenção de aeronaves, além de outras áreas, como a aerodinâmica de carros de competição e a criação de pás para turbinas eólicas. “Na prática, o trabalho de um Engenheiro Aeronáutico pode até passar despercebido, mas está em todo lugar”, afirma Pedro Trombini Rodrigues, engenheiro aeronáutico formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) que integra a Secretaria Executiva (SECEX) do Crea-SP.
A fabricação de aeronaves envolve diferentes especialidades, como estruturas, motores e estudo do comportamento e dos movimentos gasosos, além de processos rigorosos de testes e certificação. A complexidade dos projetos exige que as equipes conciliem inovação, desempenho e segurança operacional.
Para Rodrigues, um dos compromissos do setor é acompanhar a evolução tecnológica sem comprometer os requisitos técnicos exigidos para a operação dos meios de transporte aéreo. A cadeia de fornecedores, a regulação e a necessidade de investimentos em pesquisa também influenciam o progresso da indústria nacional.
Essa integração entre saberes é outro aspecto central da área. Gabriel Doria Xavier, engenheiro aeronáutico, docente na Universidade do Vale do Paraíba (Univap) e conselheiro suplente do Crea-SP pela Câmara Especializada de Engenharia Mecânica e Metalúrgica (CEEMM), destaca que a construção de uma aeronave depende da colaboração entre profissionais e empresas de diferentes frentes. “Os maiores desafios são a interdisciplinaridade e a complexidade de processos”, explica. Para ele, a capacidade de articular conhecimentos técnicos e trabalhar em equipe é fundamental para transformar diferentes contribuições em um produto seguro e funcional.
Entre as novas tecnologias do setor estão as aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas pela sigla inglesa eVTOLs. A Eve Air Mobility, subsidiária da brasileira Embraer, desenvolve soluções voltadas à mobilidade aérea urbana, um exemplo das transformações que exigem atualização constante.
A redução do impacto ambiental da aviação também mobiliza estudos e investimentos. A produção de materiais mais leves e reutilizáveis e a busca por alternativas de combustível estão entre as iniciativas que podem contribuir para diminuir o consumo energético das frotas. Xavier ressalta o potencial dos materiais para avançar nessa direção, especialmente quando permitem reduzir o peso dos equipamentos. A aplicação dessas soluções, no entanto, precisa atender aos requisitos de desempenho e segurança.
O fortalecimento da pesquisa científica e da formação também é importante para o futuro do setor. Nesse contexto, o Crea-SP contribui para a valorização da categoria por meio da fiscalização do exercício profissional, que garante que as atividades técnicas sejam conduzidas por engenheiros devidamente habilitados, gerando mais oportunidades. O Conselho reúne mais de 1.400 profissionais registrados que atuam em um segmento no qual a qualificação e a responsabilidade são fundamentais para o desenvolvimento da aviação.
Produzido pela CDI Comunicação


