No dia 27 de outubro, o Brasil comemora o Dia do Engenheiro Agrícola. O marco histórico foi estabelecido em função do ano de criação do primeiro curso dessa área no país, em 1972, sendo a ocupação oficialmente reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) em 1978. Indispensável para o ciclo produtivo, esse especialista é habilitado para planejar, coordenar e executar atividades que vão desde a conservação de recursos hídricos até a mecanização e o dimensionamento da infraestrutura no interior.
O setor rural passou a ser regido por dados, máquinas precisas e responsabilidade ambiental. “O agro exige, cada vez mais, infraestrutura técnica de ponta. Temos cerca de 400 profissionais registrados no Conselho que desempenham um papel essencial nesse cenário, transformando os desafios em alternativas tecnológicas e sustentáveis que impulsionam não apenas as terras paulistas, mas toda a economia nacional”, ressalta a presidente do Crea-SP, engenheira civil Lígia Mackey.
Para entregar essas saídas de excelência, o ofício se baseia em uma forte multidisciplinaridade de conhecimentos. O engenheiro agrícola Ricardo Antonio Ferreira Rodrigues, doutor em Agronomia, destaca o que o atraiu na época de prestar vestibular. “Cresci vivenciando a rotina do campo, mas percebi cedo que a vocação para a agricultura ganha uma nova dimensão quando aliada ao rigor da ciência e da matemática”. Na visão dele, a escolha pela graduação permitiu juntar o melhor dos dois mundos. “Uso cálculos, física e Engenharia aplicada para resolver os desafios concretos da produção agropecuária sustentável”, comenta.
Atualmente, a técnica avançada é a força motriz de cada etapa da safra. Rodrigues diz que a prioridade é a produtividade, o que exige otimização e integração do manejo agropecuário em cada hectare com eficiência e respeito aos recursos naturais. O perito projeta, ainda, ferramentas de ponta. “Na mecanização e na Agricultura 4.0, gerenciamos desde o maquinário pesado e a automação do plantio à colheita até a aplicação de agricultura de precisão, inteligência de dados e conectividade para otimizar o uso de insumos”, afirma.
Esse crescimento reflete diretamente na empregabilidade e nas oportunidades. Conforme aponta a doutora em máquinas agrícolas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professora na Faculdade de Engenharia Agrícola (FEAGRI/Unicamp), engenheira agrícola Juliana Aparecida Fracarolli. “No Brasil, conforme acompanhamos um aquecimento no comércio e na indústria, vemos também uma maior oferta de vagas para engenheiros”, relata.
O motor paulista e o compromisso com novos talentos
O impacto da convergência entre inovação e colheita é especialmente visível. “São Paulo é o motor do agronegócio nacional, e a Engenharia Agrícola teve participação direta nessa consolidação”, pontua Juliana, reforçando a relevância do segmento na construção do cenário estadual. “O Estado é rico, e isso é fruto do trabalho de várias Engenharias, principalmente, dos engenheiros agrícolas”.
Garantir o progresso contínuo da profissão passa diretamente pela educação e pela vivência prática de estudantes. Atuando nas salas de aula universitárias há mais de doze anos, Juliana enxerga um grande valor em compartilhar o conhecimento. “Formar pessoas é a atividade mais nobre que nós temos”, pontua. Aos aprendizes, ela deixa uma orientação focada na imersão: “Visitem a lavoura, fazendas e agricultores, conversem e coloquem a mão na massa”.
Como o meio agrário contemporâneo é, acima de tudo, um ecossistema que demanda respostas exatas para adversidades biológicas e climáticas, Rodrigues incentiva os futuros registrados no Sistema Confea/Crea. “Não tenham medo dos números, das equações e da complexidade; eles são as ferramentas que nos permitem produzir alimento e energia com responsabilidade”, conclui.
Produzido pela CDI Comunicação


