Infra-BR como resposta para o desenvolvimento nacional

Especialistas debatem os critérios técnicos e as possibilidades de uso da metodologia na gestão pública
15 de outubro de 2026, às 14h25 –
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A consolidação de um diagnóstico capaz de orientar a aplicação de recursos e medir o retorno de obras no país esteve em destaque na 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), em Aracaju (SE). Este foi o tema do painel “Infra-BR: da ideia à construção de um índice nacional de infraestrutura”, realizado nesta quarta-feira (14/10), no segundo dia da programação.

A palestra apresentou os bastidores da ferramenta e reuniu, sob a moderação do assessor da Presidência do Confea e gestor do projeto, Alexandre Borsato, o engenheiro de telecomunicações Vinicius Marchese, presidente do Confea; o economista Gabriel Gonçalves, que atua com Engenharia de dados no indicador; a consultora técnica Melissa Wilm, coordenadora do projeto; o engenheiro agrônomo Ricardo Chaves Lima, mestre e PhD em Economia Agrícola e professor titular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) há 30 anos; e o administrador Sergio Marangoni, especialista em estruturação de Escritórios de Gerenciamento de Projetos (PMOs, na sigla em inglês).

O encontro detalhou a metodologia, a estrutura e o uso de registros abertos pelo Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR), plataforma desenhada para subsidiar decisões públicas. Para Marchese, todo profissional da área tecnológica é um agente político que se preocupa com a cidade e ajuda a transformá-la. “A Engenharia precisa repensar sua função junto à sociedade. Enquanto não nos envolvermos nesse debate, a população não vai entender nosso papel para qualidade de vida, e um mapa de infraestrutura como esse pode nos ajudar a mudar essa realidade”, afirmou Marchese, que projetou expandir os dados da plataforma a nível municipal.

A delegação paulista presente na SOEA também reverberou o tema. Alinhada à visão estratégica do uso da ferramenta no planejamento regional, a engenheira civil e presidente do Crea-SP, Lígia Mackey, destacou como a mensuração de parâmetros fortalece a atuação. “Decisões baseadas em evidências transformam a atuação técnica em impacto real para a população. Ter um parâmetro nacional integrado permite que nossos especialistas atuem de forma assertiva na formulação de projetos que corrijam assimetrias e garantam eficiência no direcionamento de investimentos públicos e privados”, declarou.

Durante o painel, Gonçalves revelou que o maior desafio na construção da plataforma não foi o mapeamento das informações, mas sim fazer a conexão entre elas. “O problema do Brasil não é a falta de dados, mas a integração entre eles. Foi um trabalho minucioso”, explicou o economista, reiterando o rigor metodológico no processo de elaboração do índice.

Este ponto também foi trazido por Lima. O engenheiro agrônomo elogiou a qualidade da base de dados subnacional do país e detalhou que o processo estatístico do Infra-BR exigiu normalizar variáveis distintas – como pontes e quilômetros de estradas asfaltadas – para torná-las comparáveis em todo o território. “Partimos de teorizar uma série de indicadores e queríamos conversar com engenheiros antes de bater o martelo. Ouvimos professores e especialistas, como o engenheiro civil Maurício Pina, um dos maiores da área de transporte, para ter certeza de que estávamos no rumo certo”, contou, complementando que o projeto impressionou até mesmo quando foi apresentado na China, país de grande investimento tecnológico, mas que não possui uma ferramenta neste formato.

Lima evidenciou, ainda, que a vantagem do índice composto é permitir que áreas isoladas sejam analisadas dentro de um mesmo Estado, ilustrando o que funciona e o que precisa de atenção. “Isso, para um agente político, é um ‘mapa da mina’”, resumiu.

A aplicação prática da ferramenta pelos órgãos estatais foi abordada por Marangoni, que colocou o Infra-BR como ponto de partida para os administradores dos municípios e dos Estados. “Estamos vendo um movimento de utilização do índice para pautar políticas públicas. Os governadores precisam começar suas gestões planejando o PPA (Plano Plurianual), e precisamos trabalhar esse processo com o índice”, comentou.

O impacto dessa credibilidade, segundo Borsato, precisa chegar a Brasília. “Esperamos que nosso Congresso Nacional também se sensibilize e olhe para o Infra-BR antes de destinar um recurso”, concluiu o moderador do painel.

Produzido pela CDI Comunicação

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