No segundo dia da 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), em Aracaju (SE), durante a abertura do painel “Cidades em Transformação: Engenharia, drenagem urbana e desenvolvimento sustentável”, a presidente do Crea-SP, engenheira civil Lígia Mackey, lançou, nesta quarta-feira (14/10), a Cartilha para Diagnóstico e Priorização de Infraestrutura Hídrica. A publicação posiciona o Conselho como protagonista técnico nos cuidados diante dos eventos climáticos extremos.
“Quando falamos da função da Engenharia na transformação das cidades, destacamos também a prevenção, planejamento e segurança. Os impactos provocados por chuvas intensas e inundações afetam a mobilidade, a economia e a vida das pessoas. Não podemos pensar em drenagem urbana apenas quando o problema acontece. Precisamos falar de conhecimento técnico presente desde a tomada de decisão até a execução”, afirmou a presidente.

Desenvolvido pelo Comitê de Infraestrutura Hídrica e Drenagem Urbana do Crea-SP, o novo documento funciona como uma ferramenta prática para gestores públicos. O objetivo é auxiliar os municípios a diagnosticar áreas críticas, organizar informações e planejar intervenções de acordo com as características de cada território, propondo, inclusive, Soluções Baseadas na Natureza (SbN). A presidente ressaltou que os planos de drenagem de São Paulo e de Lisboa serviram de referência para a construção do material, o que reforça a importância de um planejamento de longo prazo.
O painel contou também com as presenças do presidente do Confea, engenheiro de telecomunicações Vinicius Marchese, do diretor do Plano Geral de Drenagem de Lisboa (PGDL) na Câmara Municipal de Lisboa, em Portugal, engenheiro eletrotécnico José Fernando da Silva Ferreira e do secretário municipal de Infraestrutura e Obras (SIURB) de São Paulo, engenheiro civil Marcos Monteiro. A mediação foi realizada pelo conselheiro federal suplente, o engenheiro geólogo Ronaldo Malheiros.
Marchese evidenciou a oportunidade de aprendizado proporcionada pelo encontro e pelo acesso ao novo material desenvolvido pelo Crea-SP. “Temos aqui profissionais com muita experiência e conhecimento, que estão contribuindo para transformar a realidade das cidades onde atuam. Aproveitem para aprender, trocar informações e levar essas vivências para outros municípios”, ressaltou o presidente do Confea.
Malheiros celebrou a entrega do documento, destacando que a governança é um dos pontos-chave. “O desafio não se resume a entregar a cartilha, mas garantir que ela saia dos muros do Sistema Confea/Crea e chegue às instâncias municipais para orientar o planejamento, mostrando quem são os atores envolvidos e as fontes de recursos”, explicou o conselheiro federal.
O exemplo de Lisboa
Ferreira detalhou as diretrizes do PGDL, que focam no controle na origem, uso de reservatórios e reabilitação da rede de saneamento. Entre as grandes obras em andamento, citou a construção de túneis metropolitanos, um deles com cerca de 5 km de extensão e 70 metros de profundidade, projetados para ter uma vida útil de 100 anos.
Segundo o engenheiro eletrotécnico, estima-se que 70% a 80% dos riscos de inundações reportados na cidade já tenham sido mitigados. Contudo, ele fez um alerta: a conservação e a limpeza frequente das vias (como o recolhimento de folhas e lixo) continuam sendo ações fundamentais para garantir o escoamento.
Trazendo a experiência internacional, o diretor elogiou a iniciativa do Crea-SP e compartilhou os impasses enfrentados com o PGDL. “A cartilha vai contribuir para a conscientização de que grandes investimentos levam tempo. Aprender com os erros e as lições de outros locais que já sofreram com inundações enriquece a nossa atuação”, ponderou.
Até sexta-feira (16/10), a programação da 81ª SOEA reúne painéis e fóruns que envolvem diretamente a área tecnológica com transmissão completa disponível no YouTube do Confea.
Produzido pela CDI Comunicação