O avanço da economia circular tem reposicionado a gestão de resíduos sólidos como um dos pilares da transição para um modelo de desenvolvimento mais sustentável. Além de garantir a destinação adequada dos materiais descartados, o desafio passa por inseri-los novamente nos ciclos produtivos, reduzindo o consumo de recursos naturais e promovendo novas formas de aproveitamento. O assunto foi debatido pelo especialista em Direito Ambiental José Valverde Júnior no palco Transição Energética e Climática do Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas e Colégio de Inspetores 2026, promovido pelo Crea-SP.
Durante o painel “Planejamento e ações de resíduos sólidos”, Valverde apresentou indicadores da geração de detritos e destacou a evolução do marco regulatório que orienta o setor, desde a Política Nacional de Resíduos Sólidos até os mecanismos mais recentes voltados à descarbonização do mercado. Segundo ele, esse conjunto estabelece diretrizes importantes, mas sua efetividade depende da atuação integrada entre poder público, setor produtivo e profissionais da área tecnológica.
“A gestão deixou de ser apenas uma questão de destinação final. Hoje ela faz parte de uma estratégia sustentável, capaz de gerar valor econômico, reduzir impactos ambientais e fortalecer o modelo regenerativo”, afirmou.
Entre os instrumentos previstos na legislação, a logística reversa recebeu atenção especial. Valverde explicou que o dispositivo atribui responsabilidade compartilhada aos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes pelo retorno dos produtos após o consumo, permitindo que materiais sejam inseridos em novos processos. “O método não deve ser visto apenas como uma obrigação legal. Ele representa a oportunidade de transformar aquilo que antes era considerado descarte em matéria-prima para uma nova cadeia, reduzindo desperdícios e estimulando a inovação”, detalhou.
O especialista também ressaltou que a Engenharia ocupa posição estratégica nesse cenário, por reunir as competências técnicas necessárias para planejar redes de coleta, triagem, tratamento e reaproveitamento, além de desenvolver respostas capazes de aumentar a eficiência na produção. “Não há profissionais mais preparados do que os da Engenharia para estruturar soluções em resíduos sólidos. É uma atuação que combina conhecimento, inovação e responsabilidade ambiental para enfrentar os desafios da sustentabilidade”, concluiu.
Produzido pela CDI Comunicação

