Arborização no centro das soluções para o futuro das cidades

Soluções de sustentabilidade e desenvolvimento no I Encontro Paulista de Silvicultura Urbana
18 de junho de 2026, às 14h36 –
Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

A busca por cidades mais sustentáveis, resilientes e preparadas para os desafios das mudanças climáticas marcou a abertura do I Encontro Paulista de Silvicultura Urbana, realizado nos dias 16 e 17 de junho, na sede da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP). Com a presença de especialistas, gestores públicos, pesquisadores, profissionais da área ambiental e representantes da sociedade civil, o evento evidenciou o papel estratégico do planejamento no manejo arbóreo, pauta que contou com a contribuição direta do Crea-SP.

A cerimônia de abertura contou com presenças como a do engenheiro civil Fernando Junqueira, presidente da AEAARP, e do engenheiro agrônomo José Walter Figueiredo Silva, idealizador do evento, vice-presidente da AEAARP e inspetor do Crea-SP, além de outras autoridades, como a secretária de Meio Ambiente, Agricultura e Sustentabilidade de Ribeirão Preto, Mariana Sargento, e a diretora do Escritório Regional de Governo do Estado de São Paulo, Juliana Ogawa.

“Esperamos que este seja um espaço de construção coletiva, com participantes de diversas regiões do Brasil para a troca de experiências e conhecimentos. A expectativa é contribuir para o fomento de novas ideias, parcerias e projetos voltados ao fortalecimento da silvicultura urbana”, destacou Junqueira.

Segundo José Walter Figueiredo Silva, a proposta central é transformar a maneira como a sociedade e o poder público enxergam a arborização, tema que ganha relevância diante do cenário global de aumento das temperaturas, enchentes severas e poluição atmosférica, impactos que afetam diretamente a saúde da população.

“Quando se planta uma árvore na calçada, ela pode representar uma solução ou um problema para as futuras gerações, pois muitas intervenções ainda são feitas sem o devido planejamento técnico. Por isso, é importante o apoio do Conselho para garantir que esses serviços sejam realizados por profissionais qualificados e tecnicamente responsáveis”, explicou.

Um dos pontos altos da programação foi a discussão sobre os impactos da Lei Federal nº 15.299/2025 nas atividades de manejo arbóreo. A palestra foi conduzida por duas representantes do Comitê Técnico de Normatização e Manejo Arbóreo do Crea-SP: a coordenadora, engenheira agrônoma Gisele Herbst Vazquez, diretora técnica da autarquia; e a coordenadora adjunta, engenheira agrônoma Marília Gregolin Costa de Castro, que também integra o Comitê Gestor do Programa Mulher do Conselho.

Gisele Herbst Vazquez.

Gisele detalhou a uniformização das práticas do setor frente à nova legislação, garantindo segurança jurídica, qualidade técnica nas intervenções e a preservação do patrimônio ambiental. “Ninguém quer ver uma árvore sendo removida sem necessidade. É fundamental que essas decisões sejam tomadas com base em avaliação técnica, por profissionais capacitados e que assumam a responsabilidade legal sobre o serviço executado”, afirmou.

Marília Gregolin Costa de Castro.

Reforçando a premissa de que a natureza urbana exige tratamento científico, Marília enfatizou o rigor documental. “O laudo técnico é uma ferramenta essencial para evitar intervenções inadequadas e assegurar que a arborização seja conduzida de forma responsável. A nossa proposta busca fortalecer a exigência de laudos elaborados exclusivamente por profissionais habilitados”, alertou.

O objetivo é assegurar que a Lei Federal seja aplicada com base em critérios técnicos e legais para que, dessa forma, as intervenções sejam definidas por profissionais com competência para identificar riscos reais e as medidas necessárias para a segurança da população.

Conhecimento que transforma o ambiente urbano
Para além das questões regulatórias, o evento funciona como um grande polo de disseminação de boas práticas. A engenheira agrônoma Clarissa Chufalo Pereira Lima, representante da Fazenda Divindade, ressaltou o valor da conscientização coletiva. “Trabalhamos para mostrar que as árvores não são vilãs. Elas fazem parte da nossa existência e da solução urbana. A presença do Conselho aqui é vital para observar, orientar e incentivar a excelência na gestão ambiental”, avaliou.

A necessidade de unir boa vontade e ciência foi corroborada pelo engenheiro civil e de segurança do trabalho Júlio César de Castro Forte, inspetor do Crea-SP. Para ele, a silvicultura é a ferramenta que prepara as metrópoles para o futuro. “Muitas vezes plantamos com a melhor das intenções, mas sem o conhecimento técnico necessário. Quando esse saber é compartilhado e aplicado formalmente, gera benefícios para toda a sociedade”, refletiu.

Produzido pela CDI Comunicação

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