“É uma construção coletiva, que exige diálogo, respeito e, principalmente, a compreensão de que as necessidades são compartilhadas e as respostas também precisam ser”. A avaliação do secretário-executivo do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), gestor Adriano Leite, resume um dos principais pontos debatidos no painel “Governança intermunicipal: soluções regionais para desafios das cidades”, parte da programação do palco dedicado a “Governança, Saneamento e Meio Ambiente”, do Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas e Colégio de Inspetores 2026 do Crea-SP.
Na ocasião, Leite apresentou o Condemat como exemplo de cooperação entre as administrações. Fundado em 2010, o consórcio contempla atualmente 14 cidades do Alto Tietê, região que concentra mais de 3 milhões de habitantes e responde por cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) paulista. A estrutura reúne prefeitos, secretaria executiva, câmaras e grupos de trabalho em áreas como mobilidade, saúde, educação e desenvolvimento urbano com o objetivo de integrar políticas públicas e fortalecer a representatividade territorial.

A experiência demonstra como a ação conjunta amplia a capacidade diante de desafios que ultrapassam os limites administrativos. De acordo com o secretário-executivo, o Condemat passou a atuar diretamente na construção de soluções e no apoio direto às gestões locais. “A atividade sempre teve esse olhar de aumentar a representatividade, a força, para pleitear melhorias, acionar o governo do Estado e federal, mas também de dividir o ‘peso do piano’ e ajudar a construir caminhos”, afirmou o secretário-executivo.
Na prática, essa atuação conjunta permite que demandas comuns sejam planejadas de forma integrada. Em vez de respostas isoladas, o consórcio atua na identificação de prioridades coletivas e na elaboração de projetos estruturados, capazes de acessar diferentes fontes de financiamento. “Passamos a olhar os impasses e desenhar planos específicos na busca de recursos, mesmo que eles não cubram totalmente o investimento, mas ajudem na contrapartida”, explicou.

Um dos principais instrumentos desse modelo são as câmaras técnicas e os grupos de trabalho, que funcionam como locais permanentes de troca entre profissionais. Nesses espaços, as experiências compartilhadas podem ser replicadas por outros municípios. Segundo Leite, os técnicos se encontram periodicamente, promovem formações, intercâmbio de experiências e entendem como os colegas de outras cidades buscam soluções regionais.
“Os impasses dos municípios não respeitam limites geográficos: o que acontece em um, impacta outros. Por isso, a atuação coletiva e local é fundamental. Os resultados mostram que o consórcio pode gerar avanços concretos para as cidades”, ressaltou.
O especialista destacou o papel das parcerias institucionais na qualificação dos projetos. O gestor reforçou que a interlocução com instituições como o Crea-SP contribui para fortalecer a qualidade das soluções adotadas. “Quando trabalhamos em parceria com o Conselho, temos a segurança de que estamos desenvolvendo algo tecnicamente alinhado e de qualidade”, finalizou.
Produzido pela CDI Comunicação

