Crea-SP discute plano para reativar malha ferroviária ociosa em São Paulo

Plano de Logística e Investimentos de SP prevê carteira estratégica de projetos com foco em integração modal, sustentabilidade e governança
27 de outubro de 2026, às 05h00 –
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O Estado de São Paulo tem hoje mais trilhos parados do que em operação. São 2.390 quilômetros de malha ferroviária ativa contra 2.530 quilômetros sem uso – reflexo de décadas de priorização do modal rodoviário. Reverter esse quadro é um dos objetivos do Plano de Logística e Investimentos (PLI), debatido no palco “Logística e Mobilidade: São Paulo, o maior hub da América Latina”, no Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas e Colégio de Inspetores 2026, realizado pelo Crea-SP.

“O PLI é a bússola das estratégias ferroviárias e hidroviárias, desenvolvidas em convênio com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e conduzidas com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e a Universidade de São Paulo (USP)”, afirmou o engenheiro ambiental Denis Gerage Amorim, subsecretário de Logística e Transportes do Estado de São Paulo, durante o painel “Planejamento e avanço logístico do Estado de São Paulo”.

Lançado em 2023 com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o documento foi concebido para orientar as decisões de infraestrutura de transporte até 2050. Segundo o subsecretário, sua continuidade depende de uma política pública consistente, capaz de sustentar o projeto ao longo de diferentes governos e ciclos eleitorais. “Isso só se mantém com previsibilidade e segurança jurídica”, comentou.

Amorim destacou que o PLI não atua de forma isolada e está articulado com outros instrumentos de nível estadual e federal. Entre eles, o Plano Integrado de Transportes Urbanos (PITU), o Plano Diretor de Desenvolvimento Territorial Vivo (PDDT-Vivo) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Estrutura e critérios de priorização

Os objetivos se organizam em quatro eixos de sustentabilidade: ambiental, com foco em eficiência energética e redução de poluentes; social, com ênfase na equidade de acesso e acessibilidade; econômico, voltado à redução de custos logísticos e do tempo de viagem; e de governança, com atenção à base jurídica, institucional e regulatória.

Entre as prioridades estão o aumento da participação das hidrovias na matriz de transporte e a ativação de linhas curtas para conectar as ferrovias ociosas aos eixos principais. O documento também prevê melhorias no acesso terrestre aos aeroportos e a expansão dos portos de Santos e São Sebastião.

O foco se explica pela posição estratégica do Estado. “São Paulo não concentra apenas produção, origem e destino. Ele é uma rota de passagem para fluxos nacionais”, disse o engenheiro. Nesse contexto, a eficiência dessas redes se torna determinante para o Brasil inteiro.

O PLI está estruturado em quatro etapas. A primeira, de concepção e estruturação, foi concluída em 2023. Em março de 2025, foi aprovado o plano metodológico, dando início à segunda fase. Nessa etapa, foram ouvidas prefeituras, representantes dos setores público e produtivo de diferentes regiões. O levantamento abrange 22 mil quilômetros de rodovias, 5 mil quilômetros de trilhos, 800 quilômetros de hidrovias, 32 aeroportos e dois portos. A logística foi analisada por tipos de via e de carga, organizados em 62 grupos.

O cronograma está agora na terceira fase, de simulação e análise de alternativas, com projeções de demanda e avaliação da oferta futura. Os resultados vão subsidiar a parte final – o programa de ação -, com conclusão prevista para agosto de 2026. Nessa fase, além da priorização dos critérios técnicos, econômicos e ambientais, será definido o modelo de negócio mais adequado para cada intervenção, seja por meio de PPPs ou concessões tradicionais. “Os projetos são organizados prioritariamente para apoiar as decisões dos próximos governos”, explicou Amorim.

Investimentos em curso

Embora o PLI ainda esteja em desenvolvimento, as obras já avançam. Um dos exemplos citados pelo subsecretário é a ampliação do canal de Nova Avanhandava, com aumento da profundidade para reduzir o risco de interrupção do tráfego hidroviário. No conjunto, os projetos contratados somam R$ 140 bilhões. Já aqueles em estudo e fase de modelagem chegam a R$ 212 bilhões.

“O plano não é teórico. Ele organiza as diretrizes reais de investimento, integra modais, é baseado em dados, envolve escuta qualificada e busca priorizar projetos com maior benefício econômico, ambiental e social”, contou.

Para viabilizar os avanços, o engenheiro citou a necessidade de uma visão sistêmica por parte do setor público, capaz de gerar efeito em rede e atrair parceiros privados. “Precisamos sair de soluções pontuais e avançar para uma rede integrada, que supere desafios e conecte modais e territórios”, detalhou.

Amorim encerrou ressaltando a função do planejamento na viabilização de grandes intervenções. “Se hoje estamos próximos da conclusão do Rodoanel, que começou a ser pensado na década de 1990, isso mostra a importância de uma boa estruturação para que os projetos saiam do papel”, concluiu.

Produzido pela CDI Comunicação

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