O Dia do Engenheiro Civil é celebrado neste domingo (25/10). A data homenageia os profissionais que contribuem para o desenvolvimento das cidades e para a qualidade de vida da população, com atuação em áreas como construção civil, infraestrutura, saneamento, mobilidade urbana e planejamento.

O Sistema Confea/Crea reúne mais de 480 mil engenheiros civis registrados, o que faz da Engenharia Civil a modalidade com o maior número de profissionais. Desses, mais de 107,4 mil estão em São Paulo, o equivalente a 22,4% do total no país. “A Engenharia Civil tem participação direta no desenvolvimento nacional, seja na construção de moradias, na mobilidade urbana, no saneamento ou na infraestrutura. Os desafios atuais exigem profissionais preparados para incorporar novas tecnologias sem abrir mão do rigor técnico e da responsabilidade que cada projeto exige. É essa combinação que permite criar soluções seguras e duradouras”, afirma a presidente do Crea-SP, engenheira civil Lígia Mackey, que conta com mais de 30 anos de atuação na área tecnológica.

O vice-presidente do Crea-SP, engenheiro civil Fernando Pedro Rosa, chama a atenção para as mudanças na carreira e a necessidade de acompanhar a evolução do setor. “A Engenharia Civil está presente no cotidiano das pessoas e exige conhecimento técnico, responsabilidade e compromisso com o interesse público. O Conselho atua para que a profissão seja exercida com ética, qualificação e respeito às normas”, diz.
As possibilidades dentro da Engenharia Civil são variadas. Segundo a engenheira civil Maria José Zagatto, coordenadora adjunta da Câmara Especializada de Engenharia Civil (CEEC) do Crea-SP, os profissionais podem trabalhar com edificações, estradas, aeroportos, abastecimento de água, saneamento, portos, barragens, drenagem, irrigação, pontes e grandes estruturas. Também podem atuar como autônomos, em empresas privadas, órgãos públicos ou instituições de ensino e pesquisa. “Independentemente da especialização escolhida, os engenheiros civis são fundamentais na busca por um futuro mais seguro e sustentável”, comenta.
O exercício desses profissionais envolve decisões que afetam diretamente a população. Por isso, projetos de Engenharia Civil precisam considerar as características de cada localidade, as necessidades dos usuários e os impactos sociais e ambientais das intervenções. Esse trabalho contribui para garantir o acesso a serviços essenciais e para tornar os espaços urbanos mais adequados. “Engenheiros civis não lidam apenas com concreto e cálculo estrutural; eles lidam com pessoas, direta ou indiretamente. Faz parte da prática da carreira viabilizar o saneamento básico, a mobilidade urbana, a moradia segura e toda a infraestrutura que move o nosso país”, acrescenta.
Qualificação profissional
A tecnologia tem ampliado as possibilidades na Engenharia Civil. Ferramentas de inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e modelagem da informação da construção (BIM) auxiliam no planejamento de projetos, na análise de dados, no acompanhamento de obras e no controle de recursos – que, por sua vez, podem ajudar a antecipar problemas, reduzir desperdícios e avaliar alternativas para diminuir custos e impactos ambientais.
A adoção dessas ferramentas exige preparação dos profissionais, adaptação das empresas e integração com as plataformas já utilizadas. Além disso, a rapidez das transformações traz desafios, como a resistência a novas formas de trabalho e a necessidade de seguir as atualizações tecnológicas. Pensando nisso, explica a coordenadora adjunta, a aprendizagem contínua é necessária para responder às mudanças na profissão. “Os engenheiros devem estar preparados para usar e desenvolver a IA à medida que ela se torna cada vez mais presente, especialmente no mercado”, diz.
Mas a adoção dessas ferramentas não elimina a necessidade de avaliação técnica. Embora a inovação agilize tarefas e processe grandes volumes de informações, a análise dos resultados e as deliberações continuam sob responsabilidade do profissional, lembra a engenheira civil Isabelle Gama, integrante do Comitê Gestor do Programa Mulher do Crea-SP. “O maior desafio não é aprender a usar a tecnologia, mas saber usá-la com inteligência. A IA, por exemplo, pode acelerar processos e analisar dados, mas não substitui o pensamento crítico e a decisão técnica do engenheiro”, reforça.
Formação e competências
A graduação em Engenharia Civil conta com conhecimentos de matemática, física, mecânica, estruturas, materiais, projetos e normas técnicas. No exercício da profissão, esse aprendizado é complementado por habilidades como comunicação, trabalho em equipe, gestão e ética, necessárias para avaliar obstáculos, dialogar com diferentes áreas e adotar condutas embasadas.
Além disso, Maria José ressalta que a formação não termina com a conclusão do curso. A atualização profissional ajuda a acompanhar as mudanças do setor, enquanto o compromisso ético orienta a aplicação dos conhecimentos no dia a dia, já que os direcionamentos definidos por engenheiros civis podem afetar a segurança das pessoas, o patrimônio e o meio ambiente.
Aos estudantes que estão começando a carreira, a engenheira civil aconselha manter o foco na aprendizagem e acompanhar a evolução tecnológica sem deixar de lado os valores que orientam a profissão. “Lembrem-se sempre que, além de profissionais qualificados, vocês devem ser seres humanos com valores e retidão de caráter”, finaliza.
Produzido pela CDI Comunicação


