SOEA abre debates sobre o papel da Engenharia no futuro do país

Primeiro dia reúne lideranças nacionais e internacionais, coloca a inteligência artificial no centro da pauta e projeta novos caminhos para a área tecnológica
14 de outubro de 2026, às 13h32 –
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O ponteiro do desenvolvimento fez sua parada em Sergipe. Na noite desta terça-feira (13/10), a solenidade de abertura da 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA) transformou o Centro de Convenções AM MALLS no epicentro do debate acerca da inovação. O evento iniciou os trabalhos no Auditório Mangaba com uma mensagem clara: o Brasil do amanhã exige uma capacidade técnica cada vez mais arrojada, integrada e protagonista.

No palco, a composição do dispositivo de honra refletiu o alcance do encontro. A mesa contou com o presidente do Confea, engenheiro de telecomunicações Vinicius Marchese; o ministro da Pesca e Aquicultura, engenheiro de pesca Edipo Araujo; o governador do Estado, Fabio Mitidieri; o presidente do Crea-SE e anfitrião do evento, engenheiro civil e engenheiro de segurança do trabalho Dilson Luis; e o diretor-presidente da Mútua, Joel Krüger.

Além disso, a presença internacional ficou a cargo do bastonário da Ordem dos Engenheiros de Portugal (OEP), engenheiro civil Fernando de Almeida Santos, enquanto a vice-presidente do Conselho Federal, engenheira civil Ana Adalgisa, representou o plenário federal, e o coordenador do Colégio de Presidentes (CP), engenheiro civil e engenheiro de segurança do trabalho Neovânio Lima, participou como porta-voz do colegiado.

Ao analisar o compromisso das pautas técnicas com as demandas socioeconômicas brasileiras, Marchese fez um chamado direto à reflexão do papel de todos no Sistema Confea/Crea. “A população não está preocupada em quem vai construir: ela quer saber se a obra vai sair e se a água vai chegar à casa dela. Temos a capacidade e as ferramentas para participar de como e quando esses problemas serão resolvidos”, declarou.

A fala do presidente do Conselho Federal foi repercutida pela delegação paulista. A engenheira civil Lígia Mackey, presidente do Crea-SP, concordou com a visão apresentada. “Estar em Aracaju com uma comitiva forte realça nosso compromisso em avaliar como São Paulo pode contribuir com o desenvolvimento nacional e, ao mesmo tempo, aprender com as soluções adotadas por outros Estados para melhorar a qualidade de vida da população”, afirmou.

Já o vice-presidente do Conselho paulista, engenheiro civil Fernando Pedro Rosa, destacou a Semana como demonstração do potencial das Engenharias, da Agronomia e das Geociências. “O encontro é fundamental para viabilizar a elaboração de ferramentas práticas e incentivar a valorização das carreiras”, relatou.

Ana Adalgisa, por sua vez, enfatizou no palco a relevância da interiorização dos debates e evidenciou que o plenário federal no Nordeste encoraja a integração do Sistema. “É isso que aproxima as diretrizes nacionais da realidade vivida pelos profissionais em cada região do país”, pontuou a vice-presidente do Conselho Federal.

As autoridades da gestão pública também abordaram o valor da área tecnológica. O ministro Edipo Araujo ressaltou a ligação direta entre o setor técnico e a produção nacional, apontando que a Engenharia é a engrenagem que faz o país produzir com eficiência, segurança e sustentabilidade. “Estar aqui é reafirmar a importância dessa categoria para o abastecimento e a economia”, completou o engenheiro de pesca. O governador Mitidieri, por sua vez, celebrou a escolha de Aracaju para sediar a solenidade e voltou a atenção ao reflexo dos investimentos em infraestrutura no Estado.

A troca de experiências internacionais ganhou espaço na fala do engenheiro civil Fernando de Almeida Santos, que falou sobre a cooperação entre Brasil e Portugal, formalizada por meio do Termo de Reciprocidade entre as duas nações. “A Engenharia não tem fronteiras quando o objetivo é resolver problemas globais. Consolidar os laços entre os países nos permite construir soluções mais robustas para a gestão urbana sustentável”, disse o bastonário da OEP.

 

Área tecnológica na era digital

 

Com o objetivo de provocar uma reflexão profunda sobre o impacto da inovação nas carreiras técnicas, a palestra magna “Liderando o Futuro com IA”, ministrada pela futurista Martha Gabriel, do Institute For The Future (IFTF) e referência no universo de automação e tecnologia, encerrou o primeiro dia de SOEA.

A palestrante alertou o público para a urgência de dominar as novas ferramentas de informatização e reforçou que o foco da inovação deve estar na resolução de problemas reais das pessoas e da sociedade. Segundo a especialista, aplicar plataformas digitais sem estratégia resulta apenas em experimentação, e não em ganho concreto para os processos.

“A inteligência artificial não vai substituir o engenheiro, mas o engenheiro que usa inteligência artificial vai substituir aquele que não usa. A velocidade com que a automação avança não deixa margem para neutralidade: ou o profissional se apropria das ferramentas digitais para potencializar sua capacidade técnica, ou se tornará irrelevante no mercado”, advertiu.

Com a bagagem de quem transita entre a Engenharia, o futurismo e as artes, Martha destacou ainda a necessidade de desenvolver competências estratégicas para antecipar cenários e desenhar soluções diante das incertezas do mercado de trabalho. Para a especialista, ampliar a visão sobre o amanhã exige o aprimoramento de habilidades humanas e multidisciplinares desde já, permitindo que os profissionais da área tecnológica liderem as transformações em suas carreiras, nas empresas e no planejamento do país.

“O futuro não é um lugar para onde estamos indo, é um lugar que estamos construindo agora. Quando aprimoramos as habilidades certas e assumimos o controle da tecnologia, deixamos de ser meros espectadores das mudanças e passamos a projetar o amanhã que a sociedade precisa”, concluiu.

A abertura do encontro e o painel do primeiro dia estão disponíveis no YouTube do Confea. A programação da 81ª SOEA segue até sexta-feira (16/10) com painéis, fóruns técnicos e apresentações voltadas ao agronegócio, à drenagem urbana, à transição energética e à inteligência geográfica.

Produzido pela CDI Comunicação

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