Nesta quarta-feira (14/10) é celebrado o Dia Nacional do Meteorologista. A escolha da data no Brasil tem uma razão histórica: foi em 14 de outubro de 1980 que a carreira foi oficialmente regulamentada no país pela Lei nº 6.835 – antes disso, a comemoração era em 3 de março. Já no âmbito internacional, a referência é o dia 23 de março, quando foi criada a Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), em 1950.

A modalidade começou a ganhar força nacionalmente ainda antes da legislação, em 1958, com a fundação da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMET). Criada no Rio de Janeiro, a instituição nasceu com o objetivo de unir a categoria, incentivar as pesquisas e ajudar no avanço científico do país.
Apesar dessa história, a atuação dos profissionais do setor ainda enfrenta alguns mitos no dia a dia. Segundo o meteorologista Michael Pantera, do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), o exercício exige um esforço técnico contínuo para desmistificar antigos pensamentos.
No entanto, diz ele, por trás de cada alerta, tem estação meteorológica, radares, satélites, modelos numéricos, validação e muita experiência para interpretar tudo o que acontece em tempo real. “Somos cientistas. Trabalhamos com a probabilidade e a incerteza e transformamos isso em informação”, acrescenta.
Valorizar essa carreira significa reconhecer que a previsão do tempo é um serviço essencial para a rotina de todos e para setores estratégicos, como a agricultura, a aviação, a geração de energia e o trabalho da Defesa Civil.
Quando o profissional atua com o apoio e a fiscalização do Sistema Confea/Crea, que conta com mais de 900 registrados na modalidade, a população tem a garantia de que laudos e alertas são emitidos por especialistas habilitados e com responsabilidade técnica. Isso combate o exercício irregular e fortalece a prevenção diante de fenômenos climáticos. “Quando o meteorologista é valorizado, a sociedade ganha informação mais confiável”, reitera o especialista do CGE.
Atualmente, com o avanço da tecnologia e o fácil acesso a aplicativos e inteligência artificial, o trabalho humano se torna ainda mais importante. Segundo Pantera, as inovações ajudam muito, mas não substituem a análise técnica. “Qualquer pessoa pode ter acesso a modelos e previsões automáticas, mas só o profissional responsável e habilitado sabe onde a ferramenta acerta, onde ela falha e como transformar o dado em decisão, inclusive levando em conta as incertezas”, aponta.
Para quem está estudando ou quer entrar na área, o recado é usar os novos métodos sem deixar de lado a base técnica da carreira. “Não tenha medo da tecnologia, aprenda a usá-la a seu favor, mas nunca abra mão do conhecimento, de entender a física e a matemática, principalmente. A ferramenta muda – a ciência é o que sustenta a nossa profissão. E lembre-se sempre de que, por trás de cada previsão, existem pessoas que dependem dela”, conclui Pantera.
Produzido pela CDI Comunicação
