Garantir que a água tratada chegue às torneiras, que o esgoto seja coletado e que os resíduos sólidos ganhem o destino correto vai além da infraestrutura urbana: é uma questão de sobrevivência. No centro dessas soluções fundamentais está a Engenharia Sanitária, cuja importância é celebrada nacionalmente neste 13 de julho, data oficializada pelo Decreto Lei nº 53.697/1964 em memória à criação do Departamento Nacional de Obras de Saneamento no ano anterior. Atualmente, há mais de 2,6 mil profissionais ligados à área registrados no Crea-SP.
Esse especialista é responsável pelo planejamento de obras de saneamento, ordenamento de bacias hidrográficas e preservação ambiental. Ao tratar água e esgoto, sua atuação evita a disseminação de doenças de veiculação hídrica e protege a população de contaminações. Além disso, a modalidade estende-se à aplicação de métodos para a conservação e industrialização sustentável de peixes, algas e moluscos, unindo a alta performance técnica à responsabilidade social.
Para a engenheira sanitarista Amanda Brasil, mestre em Análise Ambiental Integrada e sócia-diretora de uma empresa de consultoria ambiental, a pluralidade de atuação permitida pela carreira atrai profissionais dedicados à inovação e eficiência técnica desde a base. Ela relembra como a vivência prática e o contato direto com a engenharia sanitária a consolidaram na área.
“Fui atraída ao desenvolver alternativas pautadas em soluções ambientais, como aproveitamento de energia solar e eficiência hídrica. No início da minha trajetória, pude explorar as competências técnicas, interpretando análises laboratoriais, a qualidade de cursos d’água, licenciamento ambiental, tecnologias de tratamento de efluentes e gestão de água, além do engajamento através de educação ambiental. Ali tive a certeza de que essa era a escolha certa para mim”, conta.
Esse protagonismo técnico se reflete nos indicadores locais. Sob as diretrizes do Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê a universalização dos serviços até 2033, o estado de São Paulo lidera os índices nacionais. De acordo com o Ranking do Saneamento 2026, publicado pelo Instituto Trata Brasil, 86% dos municípios paulistas estão nas faixas mais avançadas de atendimento em água e esgoto, um resultado que evidencia a eficiência e a constante necessidade de investimentos e de valorização dos profissionais habilitados.
Os reflexos da acelerada urbanização impõem desafios complexos, como as recorrentes inundações em períodos de chuvas intensas devido à redução das áreas permeáveis. Em sua pesquisa de mestrado, defendida em 2025 pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Amanda avaliou o cumprimento legal de proteção ambiental em áreas de manancial e sua influência direta nos alagamentos que afetam as populações mais vulneráveis. “É essencial desenvolver estratégias de mitigação e enfrentamento das mudanças climáticas através de políticas públicas, ações governamentais e soluções ambientais técnicas e econômicas”, afirma.
Além da complexidade climática nas cidades, a categoria assume um papel ativo e multidisciplinar na transformação da realidade local. Amanda analisa que a atuação exige trânsito livre por diferentes setores. “O profissional da área precisa circular com a mesma fluidez entre o rigor da academia, a dinâmica da indústria e a viabilidade da consultoria para mudar a realidade da comunidade. Nosso papel diante da crise climática mundial e das metas de universalização do saneamento é urgente. É necessária a coragem técnica de inovar e a sensibilidade humana de lembrar que, por trás de cada gota de água tratada ou de cada área recuperada, existe uma comunidade toda sendo impactada”, conclui.
Produzido pela CDI Comunicação
