Em celebração ao Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, comemorado em 23 de junho, o Crea-SP promoveu, na Sede Angélica, o evento “Engenheiras que Transformam – O Impacto Feminino na Construção do Futuro”. Idealizado pelo Programa Mulher, o encontro foi desenhado para promover maior equidade e representatividade dentro das Engenharias, Agronomia e Geociências, além de ampliar a presença feminina em posições de liderança e inovação tecnológica. Alinhado ao propósito da data, a iniciativa reforçou ainda a importância de dar visibilidade às conquistas profissionais e de estruturar ações afirmativas para um mercado de trabalho cada vez mais justo.

Na abertura, o engenheiro civil Fernando Rosa, vice-presidente no exercício da Presidência do Conselho, agradeceu a realização do encontro promovido pelo Programa Mulher e pontuou que a categoria vive uma transformação com o crescimento do público feminino. Em São Paulo, são mais de 55 mil engenheiras registradas, o que representa 22,5% dos profissionais do estado. “Essa força crescente vai muito além dos números. É uma força essencial para o desenvolvimento do mercado e da inovação tecnológica”, afirmou.

A roda de conversa inicial foi mediada pela engenheira civil Priscila Bezerra, coordenadora do Comitê Gestor do Programa Mulher, e reuniu lideranças do setor. Participaram as engenheiras civis Fabiana Albano, presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia no Estado de São Paulo (IBAPE-SP), Jéssica Dantas, diretora de atividades estudantis do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON), Daniela Ferrari, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), e Vanessa Meireles Vieira, assessora especial do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
As painelistas relataram que alcançar o patamar atual exige estudo, dedicação e conexões profissionais. Fabiana enfatizou que os resultados decorrem de esforço, comprometimento e paixão. “Não existe um segredo, mas sim trabalho e reconhecimento”, acrescentou.
Vanessa relembrou o início da graduação há mais de dez anos, quando a representatividade feminina era menor. Natural do Pará, ela se mudou para São Paulo motivada pelo propósito da profissão e pela oportunidade de inspirar futuras gerações diante dos desafios diários. A assessora especial falou sobre a atuação das profissionais no DER, autarquia de 91 anos que hoje registra o seu maior contingente feminino. “Elas não estão lá somente por serem mulheres, e sim porque são extremamente competentes”, esclareceu, frisando a necessidade de preparação contínua, teórica e prática, para alcançar grandes metas.
Para iniciar na área de tecnologia, Jéssica indicou a educação e a busca por informação. A engenheira civil estuda duas horas diárias desde a época de estágio e recomendou acompanhar eventos nacionais e internacionais (mesmo remotos), seguir especialistas nas redes sociais e criar conexões diretas. “Não basta ter acesso a pessoas influentes da área. Se você não tem conhecimento, não aproveitará as oportunidades. É o conhecimento que abre portas”, garantiu.
Daniela Ferrari abordou a relevância do networking, ressaltando que as profissionais devem utilizar as oportunidades de relacionamento e a rede de aliadas para trocar ideias, sugestões e pautas para fortalecer a presença feminina no setor. “Sabemos como é difícil conquistar nosso espaço. Então, quando o conquistamos, temos que aproveitar”, finalizou.
A programação seguiu com palestras da engenheira civil Patrícia Falcão Bauer, diretora de certificação pessoal do IBRACON-SP, que palestrou sobre “O Poder da Comunidade na Construção de Carreiras”, e do engenheiro civil José Cláudio Securato, CEO da Exame Educação e Saint Paul Escola de Negócios, com o tema “Liderança Contemporânea”.

O evento foi realizado no formato híbrido, com transmissão ao vivo pelo canal do Crea-SP no YouTube e presencialmente. “Foi um prazer estar aqui no Crea-SP para ouvir as profissionais, já que as mulheres enfrentam dificuldades na profissão pelo simples fato de serem mulheres”, declarou a engenheira civil Laís Chiconeli Selani, presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Ituverava (AEAAI). “Eventos como esse são importantes para mostrar a força do protagonismo feminino e a necessidade de termos mulheres liderando em todas as áreas, afinal, esse espaço também é nosso”, completou.

Presente em outras edições do Programa Mulher, a engenheira civil Amanda Aguiar Souza, que atua em uma administradora de condomínios de alto padrão, também compartilhou sua percepção. “É muito legal ver todas as possibilidades que nós temos no mercado”, avaliou.

Para a engenheira civil Ana Lívia da Silva Oliveira, que trabalha com a patologia das construções, os ensinamentos das painelistas foram inspiradores ao demonstrarem que o sucesso profissional está ao alcance de todas. Sem histórico de engenheiros na família, ela se mudou de Domingos Mourão, no Piauí – uma cidade de 6 mil habitantes -, para concluir a faculdade na capital paulista e ter acesso a mais oportunidades. “O estudo levou cada uma delas ao lugar onde estão hoje e achei isso muito inspirador. Já realizei capacitações na minha área de atuação e pretendo continuar com especializações para me aprimorar”, relatou.
Produzido pela CDI Comunicação