Um trânsito mais seguro é construído por meio da conscientização de motoristas e de melhorias nas vias. Ações como essas deixam as ruas mais organizadas e mantêm desde os mais vulneráveis, como pedestres e motociclistas, até os de grande porte, como ônibus e caminhões, mais protegidos para circular. Para consolidar esse cenário sem depender de grandes investimentos, o Crea-SP lançou nesta quarta-feira (20/05) o Manual de Boas Práticas de Engenharia para Redução de Sinistros no Trânsito.
Escrito de forma didática e acessível, o documento tem o objetivo de dialogar com agentes da gestão pública e do setor privado que atuam no segmento de operação de sistemas viários, apresentando soluções que não demandam grandes investimentos
No Brasil, os acidentes de trânsito estão entre as principais causas de morte. Essas repercussões não se limitam somente à saúde das vítimas, mas se estendem por outras áreas e pesam bastante no bolso da população como um todo.
Em 2022, o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) revelou que as internações por sinistros de trânsito geram um custo anual de R$ 52 bilhões para o sistema público de saúde, o que representa uma contribuição média anual de R$ 255,69 de cada cidadão brasileiro para cobrir esses gastos.
A autoria e coordenação desse trabalho conta com a assinatura dos engenheiros civis Luiz Felippe Daud, Paulo Jose Andre Pereira, Lucas Alves Ribeiro, Ana Claudia da Costa Weber Rinaldi (Superintendente de Comunicação e Relacionamento do Crea-SP) e de Daniela Belchior Brito (Assessora da Presidência do Crea-SP).
Segundo o documento, os principais fatores de risco que podem contribuir com a causa de sinistros recorrentes e que merecem ser avaliados e solucionados são: geometria inadequada da via, com curvas perigosas ou traçados mal planejados; regulamentação da velocidade ausente ou inadequada; ausência ou erro na definição de qual é a via preferencial; sinalização com má visibilidade, insuficiente ou totalmente ausente; iluminação pública ruim ou deficiente; programação semafórica inadequada para o fluxo de veículos; e pavimento mal conservado, com buracos e pistas deterioradas.
Para esses locais críticos, ou seja, onde há registros recorrentes de problemas, o manual aponta um caminho imediato: a adoção de intervenções emergenciais, ainda que provisórias. São ações simples como a adequação ou revitalização da sinalização horizontal e vertical, a instalação de tachas ou tachões refletivos, canalizações com balizadores e medidas efetivas de redução de velocidade que fazem toda a diferença.
“Essas medidas corretivas de baixo custo possuem um potencial gigantesco para salvar vidas em curto prazo. O melhor de tudo é que elas costumam ser perfeitamente viáveis com os recursos já destinados à manutenção e conservação da própria via”, comenta Ana Claudia Rinaldi.

É importante ressaltar que para garantir a eficiência dessas intervenções, é indispensável o envolvimento de profissionais habilitados. “O profissional que absorve e domina as diretrizes deste manual adquire o instrumental técnico necessário para prestar consultorias imediatas e apresentar soluções concretas a prefeituras, autarquias municipais de trânsito e órgãos estaduais (como os DERs)”, garante Lucas Alves Ribeiro.
O novo guia técnico moderniza as diretrizes de segurança viária no país. Para isso, o Grupo de Trabalho usou como ponto de partida o histórico manual de baixo custo publicado pelo antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), atualmente conhecido como Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em 1998, a principal referência sobre o tema até então. Sob a assinatura de especialistas e com embasamento em recentes estudos nacionais e internacionais, o Manual traz soluções alinhadas à realidade atual do trânsito brasileiro.
Segundo Ribeiro, o antigo guia técnico demandava uma modernização conceitual e normativa, já que a dinâmica urbana e o perfil da frota veicular nacional passaram por uma “transformação profunda”. “A atualização que propomos alinha as soluções de Engenharia a essa nova realidade comportamental e tecnológica das cidades”, conclui o especialista.
Produzido pela CDI Comunicação