Dados, suporte e articulação entre diferentes setores estiveram no centro do “Agosto Lilás – Um diálogo sobre informação, acolhimento e prevenção à violência contra a mulher”, encontro promovido pelo Conselho na última quinta-feira (20/8), na sede Angélica. Em alusão à temática do mês, a programação reuniu especialistas da área tecnológica, do Direito, da Psicologia, da segurança pública e de finanças para discutir formas de cuidado e enfrentamento à desigualdade de gênero.
Presidente do Crea-SP, a engenheira civil Lígia Mackey evidenciou a atuação institucional e o papel das iniciativas desenvolvidas para ampliar o acesso a diretrizes. “É muito necessário falarmos sobre esse tema e fortalecer as nossas profissionais. Para nós, é motivo de orgulho perceber que essas ações estão abrindo portas para quem precisa de orientação”, declarou.
A gerente da Ouvidoria da autarquia paulista, advogada Anna Paula Vieira de Mello Rudge Siqueira, apresentou os canais disponíveis para o registro de ocorrências, com destaque para a ferramenta Fala.BR, desenvolvida pela Controladoria-Geral da União (CGU). A palestra abordou ainda os procedimentos de acolhimento, análise e proteção das informações fornecidas pelas denunciantes.
Na sequência, a coordenadora do Comitê Gestor do Programa Mulher do Conselho, engenheira civil Priscila de Souza Bezerra, mediou uma roda de conversa com a promotora de Justiça de Enfrentamento à Violência Doméstica do Núcleo Leste II, do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), Ariella Shiraki; a integrante do Instituto Nós por Elas, Tammy Saad; a psicóloga especialista no atendimento a mulheres, Laís Campaner Belinelo; e a escrivã da Polícia Civil do Estado de São Paulo, Amanda Gamarano Veiga.
Ao tratar da presença feminina na área tecnológica, Priscila chamou atenção para a responsabilidade coletiva de expandir o suporte entre as profissionais. “Nós vivemos no universo da Engenharia, onde somos 20% dentro do Sistema Confea/Crea. Por que não estender nosso apoio, uma mão amiga que orienta? Podemos fazer a diferença no nosso entorno, com amigas e colegas, sendo uma ferramenta de auxílio”, comentou.
Ariella falou sobre os avanços da legislação e ressaltou que a proteção prevista em lei precisa ser acompanhada por ações coordenadas. “A legislação é essencial, penas elevadas são relevantes, mas sozinhas não são suficientes. Daí a necessidade de um trabalho conjunto, atuar preventivamente e estruturar uma rede de atendimento”, detalhou.
A educação financeira foi outro aspecto discutido durante o encontro. Para Tammy Saad, o conhecimento pode aumentar a capacidade de escolha em diferentes momentos da vida. “Faz toda a diferença quando a mulher consegue ter uma reserva. Ela ganha coragem para tomar decisões, independentemente da rede de apoio. O principal ponto é buscar esse aprendizado e levar o pensamento para dentro de casa”, disse.
A psicóloga Laís Campaner Belinelo, por sua vez, ressaltou a importância do diálogo na identificação de situações que muitas vezes permanecem invisíveis. “Oferecer abertura para conversas às vezes parece que é pouco, mas traz esclarecimento. A partir dessa tomada de consciência, conseguimos olhar para uma situação e perguntar se tem algo em que possamos ajudar”, exclamou.
Na perspectiva da segurança pública, a relevância do preparo das instituições para escutar e encaminhar situações de violência foi o principal ponto trazido pela escrivã Amanda Gamarano Veiga. “A solução está mais perto do que imaginamos. É preciso olhar para isso sem achar que é um problema do outro. Nós, enquanto policiais e Judiciário, temos que fazer o nosso papel. Estamos aqui para ouvir, acolher e tomar providências”, afirmou.
Entre as participantes que acompanharam a roda de conversa, o encontro também deixou reflexões que podem ser levadas para a atuação técnica e para as entidades. Para Nathalie Richter, responsável pelo marketing da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Itatiba (AEAI), é fundamental reconhecer que as profissionais podem contar umas com as outras e com iniciativas como o Programa Mulher.
“O que eu levo daqui é a certeza de que não estamos sozinhas. Ver especialistas de áreas tão diferentes mostra que, unidas, somos mais fortes. O programa é muito necessário para sabermos que temos esse apoio dentro do Sistema”, relatou.
Já a engenheira civil Fabíola Narciso, da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto (AEAARP), carrega agora o compromisso de disseminar o conhecimento adquirido durante a programação em sua região. “Eu vim hoje ao Crea-SP para representar a minha entidade e vou compartilhar tudo o que foi apresentado com os profissionais da minha cidade”, concluiu.
Produzido pela CDI Comunicação







