Equipamentos mais avançados, processamento de dados e novas ferramentas de análise têm ampliado as possibilidades das pesquisas de perfil de DNA. A contribuição das profissões abrangidas pelo Sistema Confea/Crea para esse campo foi o tema do painel “A Engenharia nos estudos genômicos: tecnologia de sequenciamento de nova geração e aplicações na saúde”, realizado nesta quinta-feira (15/10), no Auditório Canindé, parte da programação do segundo dia da 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA).

Moderador do debate, o engenheiro geólogo Fernando Augusto Saraiva, coordenador adjunto do Colégio de Instituições de Ensino Superior do Estado de São Paulo (CIES-SP), destacou a importância de aproximar diferentes campos profissionais. “A proposta foi mostrar como o conhecimento técnico pode contribuir para o bem-estar da população e da sociedade, especialmente na saúde”, disse.

A evolução das plataformas de sequenciamento foi apresentada pelo tecnólogo em saúde Marcel Akio Arruda Iwam, que comparou os recursos disponíveis no início dos anos 2000 com os atuais. “Antigamente, tínhamos um processo mais caro, mais lento e com uma diversidade menor de ferramentas disponíveis no mercado”, avaliou.
Segundo o especialista, os avanços tecnológicos permitiram mapear mais genomas em menos tempo, reduzir custos e ampliar as possibilidades de análise. Ele também abordou o uso da inteligência artificial no tratamento dos dados genômicos com potencial para identificar padrões e auxiliar na interpretação das informações produzidas.
Na perspectiva clínica, a bióloga Ana Cristina Girardi, mestre em Aconselhamento Genético e Genômica Humana e analista de dados no Laboratório de Testes Genéticos do Genoma (LabTEG) da Universidade de São Paulo (USP), apresentou aplicações do sequenciamento de nova geração (NGS, na sigla em inglês) na investigação de doenças raras, na caracterização molecular de tumores e no planejamento pré-concepcional.
A identificação de alterações genéticas pode contribuir para esclarecer casos de patologias raras, enquanto a análise molecular de tumores auxilia na compreensão de suas características e, em situações específicas, na escolha de estratégias terapêuticas. No aconselhamento pré-concepcional, os exames também podem identificar a frente de transmissão de determinadas condições hereditárias.
Ana Cristina ressaltou que o valor dessas tecnologias depende da interpretação adequada dos resultados. “O desafio está em transformar essas informações em conhecimento confiável e clinicamente relevante, que possa apoiar profissionais de saúde, pacientes e famílias”, concluiu.
A programação da 81ª SOEA vai até esta sexta-feira (16/10), com debates sobre o papel da Engenharia na construção de políticas públicas, os desafios da agricultura no século 21 e as perspectivas para os portos e a logística brasileira.
Produzido pela CDI Comunicação
