Na mitologia romana, Ceres é associada à agricultura, à fertilidade da terra e aos ciclos de plantio e colheita. É desse simbolismo que nasceu uma premiação que homenageia nomes da Agronomia brasileira. Em sua 54ª edição, a Cerimônia Deusa Ceres reuniu representantes do setor para celebrar trabalhos que contribuem para o desenvolvimento do agronegócio no país.

Promovido pela Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP) na última sexta-feira (11/09), o evento foi realizado pela primeira vez no Salão Nobre da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. Nesta edição, a entidade também concedeu uma láurea especial à pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Mariangela Hungria da Cunha, que recebeu o título de Engenheira Agrônoma da Sustentabilidade. A distinção integra o conjunto de tributos especiais concedidos a profissionais de grande relevância.
O Troféu Deusa Ceres – Engenheiro Agrônomo do Ano foi concedido ao pesquisador Murillo de Albuquerque Regina. Já o Prêmio do Mérito Agronômico, criado em 1991, contemplou diferentes áreas por meio das Medalhas Fernando Costa, entre elas Ação Ambiental, Assistência Técnica e Extensão Rural, Cooperativismo, Defesa Agropecuária, Ensino, Iniciativa Privada e Pesquisa. O Paisagismo, por sua vez, conta com uma distinção própria – a Medalha Joaquim Eugênio de Lima.
Para o presidente da AEASP e diretor de Relações Profissionais do Crea-SP, o engenheiro agrônomo Glauco Eduardo Pereira Cortez, a cerimônia representa também a valorização de um legado construído por diferentes gerações. “É o reconhecimento de que a história da Agronomia paulista e a da agricultura de São Paulo, na verdade, são uma só. Transformamos conhecimento em alimento, ciência em produtividade, técnica em desenvolvimento e responsabilidade com o meio ambiente”, exclamou.
Valorização da ciência
Um dos destaques da cerimônia foi a homenagem à engenheira agrônoma Mariângela Hungria da Cunha. Pesquisadora desde 1982, ela é referência internacional em microbiologia do solo e elaborou trabalhos relacionados à fixação biológica de nitrogênio e ao uso de microrganismos benéficos na agricultura. É autora de mais de 500 publicações, projetou mais de 30 tecnologias e orientou mais de 250 estudantes. Em 2025, recebeu o World Food Prize, considerado o “Nobel da Agricultura”.
Ao receber o título de Engenheira Agrônoma da Sustentabilidade, Mariângela ressaltou a necessidade de conciliar produção agrícola, conservação dos recursos naturais e qualidade do solo. “Precisamos produzir, mas cuidando da qualidade e da saúde do solo, regenerando o que foi perdido e mitigando impactos ambientais”, disse. Para ela, também representa o reconhecimento a um trabalho coletivo. “Vejo essa distinção não apenas como mérito pessoal, mas sim como a valorização da ciência e dos agricultores que acreditam nela”, completou.
O Troféu Deusa Ceres – Engenheiro Agrônomo do Ano foi concedido a Murillo de Albuquerque Regina, pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), sócio-proprietário do Grupo Vitácea Brasil e uma das referências da vitivinicultura brasileira. Seus trabalhos foram determinantes para o desenvolvimento e a consolidação da técnica da dupla poda, que inverte o ciclo produtivo da videira e possibilita a colheita de uvas no inverno, em condições favoráveis à produção de vinhos finos.
“Eu trouxe para as ciências agrícolas o espírito de observação. Ao analisar a natureza e o clima do café no inverno, com dias ensolarados, noites frias e solo seco, pude inverter o ciclo da videira e colher uvas de excelência. Mas essa inovação só foi possível porque São Paulo é a locomotiva que inspira o nosso agro e serve de exemplo para todos os agrônomos deste país”, apontou.
Na categoria Destaque Empresa do Agronegócio, a homenageada foi a BASF Soluções para Agricultura, representada pelo engenheiro agrônomo José Eduardo Vieira de Moraes, que ressaltou que “os melhores resultados são construídos em parceria. Os engenheiros agrônomos, com conhecimento, dedicação e espírito inovador, são protagonistas do setor em nosso país”, ressaltou.
Já a Medalha Joaquim Eugênio de Lima foi entregue ao engenheiro agrônomo Rainer Luiz Francisco Klein. Com quatro décadas de experiência, ele reúne trabalhos em reurbanização verde, estudos ambientais e a implantação do projeto paisagístico de 24,5 quilômetros da calha do Rio Tietê. “Só tenho a agradecer o privilégio de viver aqui e apreciar as belezas da Terra. Trazer essa sensibilidade para a transformação dos espaços urbanos e poder dividir esse reconhecimento com meus professores e colegas é uma alegria imensa”, afirmou.
Entre as Medalhas Fernando Costa, a categoria Ensino premiou o Engenheiro Agrônomo Luiz Gustavo Nussio, professor titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP). “Tive o privilégio de interagir com aproximadamente 8.000 alunos, esse é o meu legado. Quem acredita no ensino sabe que é somente com ele que teremos um Brasil melhor e bom para todos nós”, observou Nussio.
Também receberam a Medalha Fernando Costa, os engenheiros agrônomos Rodrigo Paniago da Silva, na categoria Assistência Técnica e Extensão Rural; Bruno Martins, em Cooperativismo; Luís Gustavo Barioni, em Ação Ambiental; Oscar Yoshikatsu Kanno, em Defesa Agropecuária; Cristian David Donoso, em Iniciativa Privada; e Mariângela Cristofani Yaly, em Pesquisa.
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