O Conselho realizou, na quinta-feira (13/08), o workshop “Engenharia sem Fronteiras: Intercâmbio e Profissionalismo na Irlanda”, voltado a técnicos interessados em experiências internacionais. Promovido por meio do Crea-SP Capacita e do Comitê de Intercâmbio e Mobilidade Profissional, o encontro on-line foi transmitido pelo canal do Conselho no YouTube.

A apresentação foi conduzida pela engenheira civil Beatriz Gilli. Executiva da área no governo irlandês, onde vive desde 2016, ela tem mais de 15 anos de carreira e atua no controle de edificações e fiscalização. Também é fundadora e diretora executiva da EU.engineer, iniciativa que apoia especialistas da área tecnológica em processos de imigração. Durante o workshop, Beatriz afirmou que a formação abre possibilidades de atuação em diferentes países. “É uma profissão universal”, disse.
A palestrante explicou que os modelos de graduação do Brasil e da Irlanda apresentam diferenças. Por aqui, os cursos costumam ter duração mais longa, com grade teórica abrangente e contato com diferentes modalidades. Já no país europeu, a faculdade dura de três a quatro anos, dependendo da universidade, e é mais direcionada à especialidade escolhida.
“Não existe uma hierarquia onde um país é melhor que o outro. Com o nosso conhecimento e com a nossa base, é possível conseguir uma oportunidade no mercado de trabalho fora do Brasil”, reforçou. O contato com diferentes disciplinas pode ampliar a capacidade de atuar em modalidades distintas. “Essa visão mais técnica e ampla que adquirimos na academia e no ambiente corporativo faz com que consigamos estar, muitas vezes, um passo à frente”, acrescentou.
A trajetória da profissional na Irlanda também foi abordada no encontro. Ela chegou ao país há dez anos para fazer um intercâmbio, aprender uma segunda língua e buscar novos caminhos. À época, não pretendia continuar na Engenharia. Após dois anos, voltou a buscar oportunidades e conseguiu uma que resultou em um visto de trabalho.
Para chegar à posição que ocupa atualmente, Beatriz pesquisou empresas e anúncios, buscou orientação profissional e adaptou às características do mercado local o perfil no LinkedIn e o currículo, que deve ser objetivo e reunir informações relevantes para a vaga. Na Irlanda, o documento costuma ter no máximo duas páginas e deve apresentar resultados mensuráveis dos projetos realizados, como a dimensão de um empreendimento ou o número de unidades de um projeto.
O inglês foi apontado como uma das principais prioridades para quem pretende trabalhar fora. A recomendação é informar o nível de proficiência no currículo e investir no aprendizado do idioma antes de iniciar a busca por vagas.
As habilidades desenvolvidas ao longo da vida também podem fazer diferença em processos seletivos. Capacidade de adaptação, resolução de problemas, comunicação e gerenciamento do tempo foram alguns dos exemplos apresentados. “Todas essas competências são valorizadas”, garantiu.
Produzido pela CDI Comunicação