Agronomia transforma o futuro por meio do conhecimento

No Dia do Engenheiro Agrônomo, vencedora do “Nobel da Agricultura” fala sobre ciência, sustentabilidade e os desafios da carreira
9 de outubro de 2026, às 05h00 –
Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

Regulamentada no Brasil em 12 de outubro de 1933, pelo Decreto nº 23.196, a Engenharia Agronômica chega ao seu dia comemorativo acompanhando as transformações do saber, do campo e da própria população. A história da engenheira agrônoma Mariangela Hungria da Cunha, marcada por décadas de estudo e pela defesa de uma ciência brasileira capaz de somar a desafios que vão muito além de suas fronteiras, integra esse percurso.

Quando ingressou na faculdade de Agronomia, há 50 anos, Mariangela encontrou uma profissão ainda marcada pela presença masculina e pouco associada ao trabalho com biológicos. Paulistana que viveu a maior parte da infância em Itapetininga e filha de uma família da cidade grande sem ligação com o campo, chegou à Universidade de São Paulo (USP) movida pela ideia que carregava desde criança: contribuir para a produção de alimentos e ajudar a combater a fome.

A jornada que começou com essa escolha levou a engenheira agrônoma ao estudo sobre fixação biológica do nitrogênio e ao desenvolvimento de soluções que ajudaram a reduzir a dependência de fertilizantes químicos na agricultura. Em 2025, o trabalho realizado ao longo de décadas recebeu a maior honraria da área, o World Food Prize (em português, Prêmio Mundial da Alimentação), considerado o “Nobel da Agricultura”.

Em sua trajetória, a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também passou a defender uma ciência capaz de ampliar o âmbito das descobertas geradas no país. “Tem sido uma oportunidade incrível de divulgar estudo público de qualidade. Esse caminho e as conquistas que alcancei foram frutos de investimento estatal que retorna para toda a sociedade. É também uma forma de valorizar as mulheres e a nossa carreira na Engenharia Agronômica”, explica.

Ao avaliar as mudanças que acompanhou com o passar dos anos, Mariangela destaca a evolução da forma de pensar da categoria. “Os conceitos mudaram totalmente. Antes, era ‘vamos produzir, vamos desbravar esse Brasil’. Hoje é ‘vamos produzir, sim, muito, mas com sustentabilidade’. Eu sempre tive muito orgulho da profissão que escolhi”, afirma.

Para ela, os próximos anos trazem oportunidades para expandir o conhecimento gerado e fortalecer a atuação dos profissionais diante das transformações do setor. “Somos hoje um exemplo de exportadores de tecnologias agrícolas para os trópicos. É necessário adicionar valor à nossa cadeia agropecuária e, para isso, precisamos de especialistas capacitados, antenados com o que há de mais avançado no mundo”, explica.

Nesse meio século de atuação, Mariangela acompanhou o crescimento da presença feminina na Engenharia e vivenciou as mudanças nas relações de trabalho. Ela destaca os desafios que ainda fazem parte da experiência de muitas engenheiras agrônomas. “Está melhor, existe mais visibilidade e canais de denúncia. Mas, conversando com colegas de diferentes áreas, percebi que ainda temos caminhos a percorrer para ampliar a presença e a valorização das mulheres na área tecnológica”, diz.

Como conselho às novas gerações, a engenheira agrônoma defende que a escolha profissional esteja ligada ao desejo de fazer a diferença. “Qualquer um pode ser o que quiser. O importante é seguir a sua vocação. É uma vida inteira que você vai dedicar ao trabalho. É preciso pensar em como quer contribuir com o mundo fazendo algo que vai te tornar feliz. Quando você dá um retorno ao coletivo, isso realmente traz muita felicidade”, conclui a cientista.

Produzido pela CDI Comunicação

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