Reurbanização da Favela do Moinho destaca a função da Engenharia na avaliação de riscos

Caso mostra como diagnósticos técnicos embasaram a revitalização da comunidade
25 de setembro de 2026, às 05h00 –
Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

A Favela do Moinho surgiu no início da década de 1990 e perpetuou-se como a última comunidade de grande porte remanescente no centro expandido da cidade de São Paulo. O trabalho de reurbanização que ocorre desde 2024 no local foi o tema da palestra da engenheira civil Ticiane D’Aloia, diretora de atendimento habitacional da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), no painel “Requalificação urbana e habitação social – Favela do moinho” do Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas e Colégio de Inspetores 2026, realizado pelo Crea-SP.

Localizada na Av. Rio Branco, sob o viaduto Eng. Orlando Miguel e com uma área ocupada de 26 mil m² entre as estações de trem Palmeiras-Barra Funda e Júlio Prestes, o local tinha mais de 900 edificações e 1.600 moradores.

Ticiane comentou que existia um grande risco estrutural na favela. “Encontramos muita precariedade, como esgoto a céu aberto, fiação exposta e propensa para incêndio, ausência de ventilação nos domicílios, presença de lixo e entulho e compartilhamento de banheiros”, disse. A diretora explicou que o trabalho de mapeamento identificou 32% de construções de alvenaria sem revestimento externo e 26% de madeira ou outros materiais improvisados, dados que evidenciam a vulnerabilidade estrutural no ambiente.

Diante deste cenário, surgiu a possibilidade da parceria entre o Crea-SP, o Confea e a CDHU, no ano de 2025, para a produção de um parecer elaborado pelo Comitê Técnico Multidisciplinar de Requalificação Urbana e Ambiental da Região da Favela do Moinho, criado pela autarquia paulista para suporte técnico à atuação da gestão pública

A engenheira comentou a importância deste documento. “Foi por meio desse termo de cooperação com o Sistema Confea/Crea que viabilizamos uma análise das edificações. O parecer consolidou os apontamentos feitos pela equipe da CDHU e identificou riscos à segurança e à habitabilidade da área, o que nos respaldou para a remoção”, complementou.

Em julho deste ano, as antigas estruturas dos silos do Moinho Central foram demolidas. Em seguida, no mês de setembro, a remoção da última moradia foi concluída, finalizando essa etapa do processo de requalificação.

O caso da Favela do Moinho ilustra os desafios da reurbanização em áreas consolidadas e reforça a importância de espaços como o Fórum de Infraestrutura e Políticas Públicas e Colégio de Inspetores 2026, onde acontece o compartilhamento de experiências entre poder público, profissionais da área tecnológica e sociedade, promovendo a atuação conjunta destes setores na formulação de soluções que amparem a população, trazendo mais qualidade de vida.

Produzido pela CDI Comunicação

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