Dia do Engenheiro Químico: os profissionais da transformação

Área exige domínio dos fundamentos, gestão consciente de recursos e responsabilidade com o bem-estar coletivo
18 de setembro de 2026, às 05h00 –
Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

Neste domingo, 20 de setembro, comemora-se o Dia do Engenheiro Químico. Frequentemente associada ao exercício em laboratórios ou ao desenvolvimento de produtos isolados, a carreira abrange um campo de atuação muito maior. O especialista trabalha na indústria de processos, garantindo que matérias-primas sejam convertidas em bens de consumo de forma segura, eficiente, econômica e em grande escala.

Com cerca de 8 mil registros no Crea-SP na modalidade de Engenharia Química, a presença desses profissionais se estende por diferentes setores produtivos e envolve atividades que têm impacto direto no cotidiano da população, ainda que muitas vezes não sejam percebidas por quem está fora da indústria.

Para a engenheira bioquímica e engenheira química Nelize Maria de Almeida Coelho, coordenadora da Câmara Especializada de Engenharia Química (CEEQ), o Dia do Engenheiro Químico é uma oportunidade para ampliar essa percepção e resgatar a identidade da categoria. Segundo ela, o reconhecimento público está diretamente ligado ao entendimento real sobre as atribuições do setor. “Acredito que não existe valorização profissional sem conhecimento. Para que a sociedade prestigie o engenheiro químico, ela precisa primeiro saber quem ele é, o que faz e qual é a sua importância”, afirma, lembrando que o dia a dia da carreira envolve operações em altas pressões e temperaturas, manipulação de substâncias complexas e gerenciamento de riscos ambientais.

Por conta desses desafios, o trabalho exige o acompanhamento do Sistema Confea/Crea. “É fundamental que exista clareza sobre quem possui formação e atribuição para assumir determinadas responsabilidades técnicas”, explica Nelize. A coordenadora reforça que mecanismos como a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e a fiscalização são garantias de que atividades de alto risco sejam executadas por especialistas habilitados.

A área reúne conhecimentos de química, física, termodinâmica, fenômenos de transporte, reações e separações para projetar, operar e otimizar rotinas industriais reais. “Existe uma diferença entre conseguir fabricar alguns gramas de determinada substância em um laboratório e produzir toneladas desse mesmo material continuamente, mantendo qualidade, segurança, consumo energético, impacto ambiental e viabilidade econômica dentro de limites aceitáveis. E é nessa transposição de escala que a Engenharia Química se torna muito característica”, esclarece.

Outra habilidade marcante é enxergar o processo como um conjunto integrado. “Esse olhar sistêmico é, para mim, uma das características mais bonitas da profissão.” Nelize gosta de resumir o campo de atuação como a “Engenharia da mudança”, pois o trabalho consiste em modificar insumos em itens úteis por meio de reações físicas, químicas ou biológicas.

“Dominem muito bem as bases teóricas”

Diante da automação e do uso de inteligência artificial, o grande desafio da categoria é acompanhar a rápida evolução das inovações digitais sem abandonar a análise crítica com base nos princípios da Engenharia. “Aquele que atua na área não pode se transformar em alguém que simplesmente coloca dados em um software ou em uma IA, recebe uma resposta e a aceita sem questioná-la”, pondera.

Docente da área, Nelize aconselha os estudantes a buscarem o domínio sólido da teoria, frisando que a tecnologia vai sempre mudar. “As soluções aplicadas daqui a dez ou vinte anos provavelmente serão diferentes das que empregamos hoje, mas os conceitos que governam os processos continuarão existindo”.

Além das habilidades computacionais e de comunicação interprofissional, ela ressalta a importância de compreender a presença dessa especialidade no cotidiano, da produção de alimentos e remédios ao tratamento de água e mineração. “A curiosidade, associada a uma boa formação e à consciência de que nossas decisões têm consequências para outras pessoas, é o que, para mim, faz um bom engenheiro”, finaliza.

Produzido pela CDI Comunicação

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