Em 11 de agosto, Dia do Estudante de Engenharia, a atenção se volta para quem está construindo sua trajetória acadêmica e começando a desenhar os próximos passos profissionais. É durante a graduação que conhecimento, curiosidade e experiências começam a se transformar em escolhas, ajudando cada aluno a descobrir as diferentes possibilidades de atuação que a carreira oferece.
Com desafios e campos de atuação cada vez mais diversos, a Engenharia abre espaço para as mais variadas jornadas. Projetos, pesquisas, eventos, visitas técnicas, estágios e o contato com especialistas aumentam esse repertório e permitem que os estudantes conheçam novas áreas, desenvolvam habilidades e construam conexões que podem acompanhar sua vida profissional.
No caso do estudante de Engenharia de Produção Felipe Santana, da Estácio, a escolha pela carreira nasceu da combinação entre um sonho pessoal e a vontade de ajudar as pessoas. “Duas coisas me fizeram escolher a profissão: uma foi emocional e outra racional. Eu tinha o sonho de ter uma construtora com meu pai, de termos um negócio juntos. E o meu porquê racional foi: ‘engenheiro resolve problemas’. Desde sempre fui uma pessoa que tentava consertar as coisas e criar soluções”, conta.
É nessa fase de descobertas que ações como o “Por Dentro do Crea-SP: Estágio Visita” ganham significado. O programa leva discentes e egressos para uma imersão de quatro dias no Conselho, permitindo ver de perto atividades que fazem parte da rotina de trabalho e entender melhor como funciona o Sistema Confea/Crea e Mútua.
Mais de 900 estudantes e recém-formados já participaram da iniciativa desde 2023. Para o engenheiro civil Felipe Dias Soares, coordenador do Crea-SP Jovem, esse contato antecipado ajuda a aumentar a visão sobre a profissão.“Por meio de eventos, palestras, vistorias e do Estágio Visita, é possível conhecer melhor o Sistema, expandir a rede e trocar experiências com quem já atua no mercado. Isso ajuda o estudante a enxergar novas oportunidades e entender melhor sua futura atuação”, explica.
Soares sabe disso também pela própria vivência. Em 2017, quando ainda estava na faculdade, participou do Encontro do Crea-SP Jovem. Anos depois, a relação com o Sistema continua presente em sua trajetória. Hoje, ele trabalha em uma multinacional, é conselheiro da autarquia paulista e suplente no Conselho Consultivo da Associação de Engenheiros e Arquitetos de São José dos Campos (AEA/SJCampos). O exemplo mostra que algumas histórias começam muito antes de a gente saber onde elas vão parar.
A vivência junto ao Conselho também marcou a jornada de Felipe Santana. Ele participou do Estágio Visita em 2024 e retornou ao programa dois anos depois, desta vez como palestrante da primeira edição realizada em 2026, quando compartilhou como a experiência havia influenciado sua própria formação.
Hoje, conciliando a faculdade com o empreendedorismo no setor de tecnologia à frente da empresa de consultoria AFS Works, Santana já começa a definir o profissional que pretende ser. “Quero ser reconhecido por boas entregas. Minha pretensão é continuar empreendendo na Engenharia e inspirar jovens estudantes e recém-formados a se desenvolverem mais”, relata.
O que cabe nos anos de faculdade?
A graduação é o momento de aprender o conteúdo técnico, mas também de testar interesses e descobrir competências que não necessariamente aparecem em uma disciplina. Um projeto pode despertar o interesse por uma área, uma conversa pode apresentar uma profissão que o aluno ainda não conhecia, um estágio pode confirmar ou mudar um plano a longo prazo.
“Participar de projetos, iniciação científica, empresas juniores, eventos, visitas técnicas, estágios e cursos complementares faz muita diferença. Também é importante desenvolver habilidades como comunicação, liderança e trabalho em equipe, além de criar uma boa rede de contatos. Quanto mais experiências o estudante buscar, maior será seu preparo para os desafios da área tecnológica”, afirma Soares. É justamente essa possibilidade de experimentar que torna a faculdade uma fase tão importante. Não é preciso ter toda a carreira planejada aos 20 anos. É possível mudar de ideia, encontrar novos interesses e construir o próprio caminho aos poucos.
O Crea-SP Jovem atua nesse espaço de aproximação. Criado há 13 anos, o projeto começou levando palestras às universidades e hoje reúne diferentes iniciativas voltadas a discentes e recém-formados, como encontros, hackathons, visitas, palestras e divulgação de oportunidades.
A valorização da formação também aparece no Prêmio Crea-SP de Formação Profissional, que reconhece alunos e docentes de destaque nas áreas de Engenharia, Agronomia e Geociências. Em 2026, a iniciativa chegou à 29ª edição.
Para a presidente do Conselho, engenheira civil Lígia Mackey, aproximar os acadêmicos da profissão é também reconhecer o papel que essa geração terá na transformação da sociedade. “Cada estudante chega à graduação com sua história, curiosidades e expectativas sobre o futuro. Nosso papel é ajudar a expandir esse horizonte e mostrar que existem muitos caminhos possíveis dentro da área tecnológica”, disse.
Esse processo começa com atitudes que podem parecer pequenas, mas ajudam a construir a trajetória profissional. Ter proatividade e vontade de explorar este mercado é essencial para o sucesso no setor. “Aproveitem cada oportunidade que surgir durante a graduação. Tenham curiosidade, façam perguntas, participem de eventos e não tenham medo de sair da zona de conforto. A Engenharia transforma vidas e ajuda a construir um país melhor, e vocês serão os responsáveis por essa transformação”, exclamou o coordenador.




