Projetar espaços acessíveis requer uma compreensão sobre as diferentes maneiras de viver, circular e interagir para que eles atendam às demandas da população. Com esse propósito, o Conselho promoveu na quarta-feira (29/07) uma programação dedicada ao tema, reunindo profissionais, estudantes e especialistas em duas iniciativas complementares. O programa Crea-SP Capacita realizou o primeiro módulo da Trilha Profissional “Engenharia para Ambientes Seguros”, e o Comitê de Diversidade conduziu a roda de conversa “Além do Papo: Engenharia para o Bem-estar e Inclusão nos Ambientes”. Em comum, os encontros defenderam que a acessibilidade começa no planejamento, mas se concretiza quando os lugares oferecem autonomia, conforto e pertencimento para todas as pessoas.

“Projetar não é apenas construir espaços, é permitir que pessoas pertençam”, foi com esse tom que a engenheira civil Ana Paula Ribeiro, integrante da Associação Mongaguaense de Engenheiros e Arquitetos (AMEA) e conselheira do Crea-SP pela Câmara Especializada de Engenharia Civil (CEEC), deu início ao primeiro módulo da Trilha Profissional, intitulado “Acessibilidade: Projetando Espaços Inclusivos e em Conformidade” que apresentou soluções para inspeção, manutenção e adequação de edificações de acordo com as normas técnicas. A atividade foi conduzida por Ana Paula e pelo arquiteto e especialista no tema Eduardo Ronchetti.
Ana Paula convidou os participantes a refletirem sobre quem é considerado durante o desenvolvimento de uma obra. A partir de exemplos relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de sua experiência como mãe, a engenheira evidenciou que fatores como iluminação, acústica, conforto térmico e organização dos ambientes influenciam diretamente a forma de utilizá-los. “Cada nova demanda da sociedade cria novas oportunidades para o setor”, afirmou.
Na sequência, Eduardo Ronchetti reforçou que a responsabilidade técnica vai além do atendimento mínimo às exigências legais. Um lugar só pode ser considerado acessível quando permite que qualquer indivíduo o experiencie por completo com autonomia e segurança. O especialista também apresentou oportunidades na área, impulsionadas pela crescente procura por adequação de edificações e diagnósticos de acessibilidade. “Vivemos uma nova maneira de pensar e fazer Engenharia”, destacou.

Entre os participantes, o engenheiro civil e de segurança do trabalho Ronaldo Romero, que atua com laudos de inspeção em prédios, revelou que a capacitação expandiu seu olhar sobre novas possibilidades de atuação. “Encontros como esse trazem atualizações e novas informações que fazem diferença. A inclusão social deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade para atender uma sociedade cada vez mais diversa”, afirmou.
A designer de interiores Sônia Regina Krieger, que atua com a adequação de edificações para acessibilidade, ressaltou que iniciativas como o Crea-SP Capacita também contribuem para orientar profissionais em diferentes momentos da carreira. “O programa abre caminhos para quem está entrando no mercado e demonstra quantas oportunidades existem para desenvolver projetos que realmente transformam a vida das pessoas”, concluiu.
Inclusão começa pela escuta
Se a capacitação mostrou os aspectos técnicos, a roda de conversa aprofundou o debate ao colocar em evidência a experiência de quem convive diariamente com barreiras físicas, sensoriais e sociais. Mediado pela engenheira civil e de segurança do trabalho Nauany Xavier, coordenadora do Comitê de Diversidade do Conselho, o encontro reuniu a engenheira civil Ana Paula Ribeiro, o engenheiro florestal e de segurança do trabalho e coordenador adjunto do Comitê de Diversidade, Dreyfus Bertoli, o engenheiro civil Amândio José Cabral D’Almeida Junior, coordenador adjunto da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) do Crea-SP, e o engenheiro de produção Yves Carbinatti, coordenador do Comitê de Bem-Estar Social e Cidadania e inspetor da autarquia por Rio Claro.
Os participantes defenderam que atender às diretrizes representa apenas o primeiro passo. Foram discutidos exemplos de espaços considerados acessíveis que deixam de cumprir sua função na prática, como pisos táteis obstruídos, banheiros adaptados que viram depósitos e calçadas que priorizam o acesso de veículos ao invés da circulação de pedestres. “Só atender à norma não é suficiente, tem que ser funcional”, pontuou Ana Paula.
Outro tema recorrente foi a importância da escuta durante o desenvolvimento dos projetos. Compreender a rotina, as dificuldades e as diferentes formas de interação é fundamental para propor soluções que façam sentido.
Carbinatti defendeu que os profissionais precisam conhecer a realidade de quem utiliza os ambientes antes de planejá-los. “Como vamos desenvolver um espaço acessível se não conhecemos as dores de quem realmente precisa dele?”, questionou. O debate também abordou barreiras menos perceptíveis, como o preconceito e a falta de conscientização, que continuam comprometendo o uso destes lugares mesmo quando eles atendem aos requisitos técnicos. Para Nauany, é importante manter-se atualizado por meio do estudo e da busca por especializações. “Olhem o todo e pensem em como o seu projeto contribui para inclusão de todos. A Engenharia é muito mais humana do que técnica”, finalizou.
Produzido pela CDI Comunicação

