A transição para uma economia neutra em carbono e os desafios da gestão climática foram temas do Crea-SP Capacita, realizado na terça-feira (21/07), na Sede Angélica. Sob o título “Créditos de Carbono na Prática: Como Estruturar Projetos Viáveis e Rentáveis”, o evento foi conduzido pelo engenheiro florestal e especialista em Ecologia e Silvicultura, Carlos Sanquetta, que apresentou os principais conceitos sobre emissões de gases de efeito estufa e mostrou como engenheiros, agrônomos, geocientistas e tecnólogos podem ampliar sua atuação diante das novas exigências legais e ambientais.

Ao longo da palestra, Sanquetta contextualizou a agenda climática internacional, explicou a evolução das negociações globais e revelou como a descarbonização passou a integrar a estratégia de empresas e organizações. Ele também detalhou as etapas da jornada de gestão climática, que envolve o inventário de emissões, o planejamento, a implementação de ações de redução e, quando necessário, a compensação dos volumes remanescentes.
O engenheiro florestal explicou como a agenda climática pode ser transformada em estratégia de desenvolvimento e geração de valor. “Aquilo que eu não posso reduzir, eu posso compensar. Consumir tudo que é carbono neutro, ou até carbono negativo, também gera oportunidades para os profissionais”, disse.
Outro ponto abordado foi a regulamentação do setor, incluindo a Lei nº 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). O palestrante destacou que empresas enquadradas em determinados limites de emissão passam a ter obrigações legais relacionadas ao inventário de gases e, em alguns casos, à redução e compensação das metas. Ele também apresentou o funcionamento do mercado de carbono e mostrou as oportunidades para a área tecnológica, desde a elaboração de inventários e projetos até consultorias, auditorias e intermediação de créditos. “Quem reduz, ganha. Não é uma licença para poluir. Quem emite paga para quem reduz”, resumiu ao explicar a lógica da relação.
A programação também trouxe exemplos de como estruturar projetos de carbono, avaliar sua viabilidade técnica e econômica, elaborar propostas comerciais e precificar serviços. Segundo o palestrante, existem mais de 170 modalidades diferentes, envolvendo iniciativas como energia renovável, agricultura regenerativa, recuperação de pastagens, aterros sanitários e captura de carbono, o que abre um novo campo de trabalho.
Para o engenheiro civil e de segurança do trabalho Maxwell Cavalcanti Rodrigues, servidor da Prefeitura de Cabreúva, o tema acompanha uma transformação que já impacta a atuação no campo. “É um assunto muito discutido e representa o futuro. Isso despertou meu interesse para aprofundar ainda mais o conhecimento”, comentou.
Na avaliação do engenheiro agrônomo Valdemir Aparecido Ravagnani, inspetor do Crea-SP por Hortolândia e presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Sumaré (AEAS), a iniciativa aproxima os profissionais de uma área em expansão. “O mercado de carbono é muito importante para o setor em que atuo. O Conselho trazendo uma palestra como essa mostra que esse é um campo que pode gerar resultados tanto para os trabalhadores quanto para as empresas”, concluiu.
Produzido pela CDI Comunicação


