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Acesso em 29/08/2025 às 19h32.

Conectividade, governança e mudança cultural: como a IA impacta o setor público

Tecnologia permite avançar para além das smart cities e criar as cidades cognitivas

25 de agosto de 2025, às 10h00 - Tempo de leitura aproximado: 2 minutos

Para abordar as oportunidades de tecnologia para o setor público, Breno Machado, gerente sênior de produto da Huawei, ministrou uma palestra sobre o tema durante o Colégio de Inspetores 2025 e 12º Congresso Estadual de Profissionais do Crea-SP, realizados no Mercado Pago Hall, no Mercado Livre Arena Pacaembu. O especialista, que há mais de uma década atua em soluções de infraestrutura, armazenamento de dados, conectividade e inteligência artificial, enfatizou a onipresença desta última. “A IA já está em praticamente tudo no nosso dia a dia”, disse.

No entanto, para avançar a partir daqui, segundo ele, é imperativo que o Brasil complete sua transformação digital, de forma a poder utilizar os dados disponíveis com vistas à evolução das cidades – de informatizadas e digitais para cognitivas. Ou seja, o próximo passo depois das cidades inteligentes, é utilizar a IA para criar cidades que podem “aprender”, “raciocinar” e “se adaptar de forma autônoma”.

Parte de uma companhia com DNA fortemente calcado em pesquisa e desenvolvimento – 20,8% dos US$ 24,6 bilhões de faturamento em 2024 foram destinados à Pesquisa e Desenvolvimento –, Machado abordou uma série de aplicações da IA que poderiam ser adotadas no setor público. Na área da educação, por exemplo, citou as plataformas que permitem o ensino híbrido, interação em tempo real entre aluno e professor, transcrição de aulas, resumos automáticos e até identificação de padrões de comportamento em sala. Na saúde, a IA já se mostra essencial no diagnóstico médico e no sequenciamento de genomas. “Na China, 90% dos atendimentos hospitalares contam com avatares de IA que auxiliam no diagnóstico inicial, recebendo informações de gadgets de saúde e direcionando pacientes aos médicos. Um projeto similar está sendo implementado em Campinas”, adiantou.

Já no setor de segurança pública, a IA contribui com sistemas de investigação que identificam pessoas através de câmeras, rastreando interações entre indivíduos e auxiliando o judiciário. Sistemas de gestão de trânsito baseados na tecnologia detectam padrões anormais de comportamento, como acidentes, e analisam seu impacto no fluxo de veículos em tempo real, facilitando a ação das autoridades.

Para avançar nesse sentido, Machado alertou para alguns pontos cruciais. Um deles é poder contar com uma infraestrutura robusta, com destaque para a conectividade – o alicerce para qualquer projeto de IA bem-sucedido. “A segurança cibernética é outro pilar inegociável. Se alguma empresa ainda não foi atacada, ela provavelmente será”, disse, ressaltando a importância de soluções que incorporem criptografia para fortalecer a proteção. Por fim, mencionou a soberania da IA, apresentada como um ponto crítico. “O exemplo da Rússia, que teve o serviço Apple Pay desativado devido a conflitos geopolíticos, ilustra os riscos da dependência de tecnologias estrangeiras. É fundamental garantir que os nossos dados estejam preservados no nosso território.”

Ao encerrar, Breno Machado tranquilizou a audiência sobre o impacto da IA no emprego, mas com uma ressalva importante: “A tecnologia não vai acabar com o nosso emprego, mas vai deixar de fora quem não aproveitar essa onda”. Nesse ponto, o especialista encorajou engenheiros e gestores públicos a adotarem a IA e a investirem em uma infraestrutura tecnológica robusta, governança e uma mudança cultural para construir um ecossistema inovador no Brasil.

 

Produzido pela CDI Comunicação