Data centers podem acelerar demanda por engenheiros no Brasil
16 de fevereiro de 2026, às 11h21 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos
O Brasil desponta como um dos principais destinos globais para data centers, com São Paulo no centro das atenções. E, de acordo com a ferramenta de pesquisa Data Center Map, há projeções de até 500 novas instalações nos próximos 10 anos. Avanço impulsionado pela Inteligência Artificial (IA) e pela necessidade de infraestrutura digital robusta, que abre espaço para engenheiros eletricistas e de dados em um mercado que exige segurança energética, inovação e mão de obra qualificada.
Para a presidente do Crea-SP, engenheira Lígia Mackey, o horizonte profissional é promissor. “Estamos diante de um setor que cresce em ritmo acelerado e que precisa de engenheiros preparados para lidar com os novos sistemas que estão surgindo. É uma oportunidade de posicionar o Brasil como referência internacional e de valorizar ainda mais nossas Engenharias”, ressalta.

Os investimentos de curto prazo, aliás, apontam que o mercado de infraestruturas digitais dos prestadores de serviço no Brasil, avaliado hoje em US$1,5 bilhão, pode saltar para US$3 bilhões em cinco anos, segundo a consultoria Oliver Wyman – com São Paulo sendo responsável por algo entre 70% e 80% do total. No campo da energia, a capacidade de consumo atual dos centros de processamento de dados está avaliada em 800 megawatts (MW) com a possibilidade de mais do que dobrar, chegando aos 1,8 gigawatts (GW) até 2029.
“A Engenharia Elétrica é o coração da segurança e da automação dos sistemas de energia que alimentam os data centers e suas nuvens computacionais. Qualquer falha elétrica pode significar perda de dados e prejuízos altos, por isso trabalhamos com conceitos como tempo de inatividade zero e automação integrada”, aponta o Eng. Eletric. Heverton Bacca Sanches, coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Elétrica (CEEE) do Crea-SP que recentemente também foi escolhido para liderar a Coordenadoria Nacional de Câmaras Especializadas de Engenharia Elétrica (CCEEE).

A posição do Brasil como hub de repositórios de dados na América Latina se deve em grande parte a nossa matriz energética, que, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), deve chegar a algo entre os 84,6% a 95% com participação de fontes renováveis em 2026. Porém, não basta a produção de energia, como lembra Bacca, é preciso garantir a melhor geração, distribuição e gestão dos recursos. Ações já previstas e viabilizadas a partir da atuação das Câmaras regional e nacional, na busca pela eficiência energética, conformidade técnica e atuação de acordo com as normas de segurança.
Com a transição energética e outras inovações, a exemplo de redes inteligentes e das fontes renováveis, profissionais da área tecnológica como os engenheiros eletricistas e de dados ganham ainda mais destaque no mercado. “Os investimentos projetados abrem oportunidades diretas como um todo, em projetos de subestações,de qualidade de energia e na integração de fontes renováveis”, afirma Bacca.
Produzido pela CDI Comunicação