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Acesso em 27/03/2026 às 20h25.

Crea-SP prepara agentes fiscais para atuação em usinas sucroenergéticas

Fiscalização e Diretoria Técnica unem esforços para capacitação das equipes

26 de março de 2026, às 16h21 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

Já em andamento, o planejamento de fiscalização do Crea-SP para os meses de março e abril inclui forças-tarefas estaduais em barragens, hospitais e usinas sucroenergéticas, atividade com acentuada concentração na Região Sudeste, em especial no estado de São Paulo.

Para a ação especial em usinas, foram mapeadas no levantamento prévio mais de 340 indústrias do segmento localizadas em terras paulistas, entre matrizes e filiais. A maior do mundo, a Usina São Martinho, está localizada em Pradópolis, Região Metropolitana de Ribeirão Preto, e tem capacidade para moer 10 milhões de toneladas/ano, com colhedoras de cana que percorrem, em média, 3.500 km por dia.

Responsáveis pela produção de açúcar, etanol e bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar, as usinas sucroenergéticas brasileiras respondem pelo processamento de mais de 600 milhões de toneladas do insumo, e, do campo à indústria, desempenham um importante papel na matriz energética renovável do país.

Para orientar o trabalho dos agentes fiscais em uma área marcada pela abrangência de atividades e forte impacto ambiental, Fiscalização e Diretoria Técnica uniram esforços e realizaram um treinamento on-line com as equipes que estarão em campo para verificar como vêm sendo executadas as ações afetas à área tecnológica nesse segmento.

Dando sequência ao trabalho que já desenvolvia à frente da Câmara Especializada de Agronomia – CEA, a agora diretora técnica do Conselho, Eng. Agr. Gisele Herbst Vazquez, ficou responsável pela difusão desse conhecimento aos agentes de fiscalização. “Foi uma inovação reunirmos esse efetivo, em um encontro on-line, para uma ação que, nos moldes previstos, é inédita para essas equipes”, relata a engenheira agrônoma.

Segundo Gisele, o objetivo é padronizar o entendimento técnico e, assim, fortalecer a atuação fiscalizatória, aumentando a assertividade durante as abordagens. “Essa parceria em muito nos auxilia na execução das nossas atividades e na busca pela realização de um trabalho com qualidade, efetividade e eficácia. A explanação, bastante qualificada, ampliou nossas possibilidades de argumentação”, ressalta o gerente de Planejamento e Fiscalização do Conselho, Eng. Amb. Kleber de Jesus Brunheira (foto abaixo).

Durante o treinamento, a diretora técnica buscou detalhar a responsabilidade técnica em todo o fluxograma de produção, do planejamento e preparo do solo, passando pela implantação da cultura, condução e colheita, transporte, até a entrega na usina, bem como enfatizar a exigência de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART para os programas de gestão de riscos, instalações elétricas e rurais, máquinas e equipamentos agrícolas, armazenamento em silos e depósitos, irrigação e uso de água, e construções rurais.

Outro ponto de destaque foi a atuação do responsável técnico em ações de grande impacto ambiental, como a destinação dos resíduos da cana, como é o caso da vinhaça, líquido gerado na destilação do caldo de cana para produção de etanol. “É obrigatório apresentar um plano anual de aplicação, o PAV, que deve ser elaborado por um engenheiro agrônomo legalmente habilitado e, se a aplicação ocorrer em áreas florestais cultivadas, de um engenheiro florestal, com a atuação complementar de um engenheiro ambiental no monitoramento, controle de qualidade de água e avaliação de impacto”, explica Gisele.

Para o agente de fiscalização Luis Gustavo Moimaz, da Unidade do Crea-SP em Araçatuba, a iniciativa amplia o repertório técnico e fortalece a atuação do fiscal em campo. “Esse tipo de conteúdo contribui diretamente para uma fiscalização mais qualificada, pois permite compreender melhor os processos, as particularidades operacionais e os pontos críticos do setor abordado. Na prática, também nos ajuda a estabelecer uma comunicação mais técnica e, ao mesmo tempo, mais empática, elevando o nível do diálogo e favorecendo uma abordagem mais assertiva nas diligências”, diz.

“Essa interação da área técnica com os agentes fiscais é fundamental para reafirmarmos que fiscalizar é garantir legalidade, fortalecer as profissões da área tecnológica e, principalmente, proteger vidas”, conclui a presidente do Crea-SP, Eng. Lígia Mackey.

 

Reportagem: Jornalista Perácio de Melo – SUPCOR